A greve dos caminhoneiros afetou, fortemente, as vendas internas e as exportações de revestimentos cerâmicos, em maio, e interrompeu a alta que o segmento tinha registrado no acumulado até abril, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos, Louças Sanitárias e Congêneres (Anfacer).
"O ganho de janeiro a abril foi perdido", afirma o diretor superintendente da entidade, Antônio Carlos Kieling, ressaltando que os números de junho ainda irão refletir impactos da greve dos caminhoneiros. Oficialmente, a Anfacer mantém a estimativa de crescimento de 4,8% a 5% nas vendas deste ano, mas Kieling avalia que, dificilmente, o patamar será alcançado.
Em maio, as vendas totais do segmento caíram 17,3%, na comparação anual, para 55,5 milhões de metros quadrados e encolheram 17,6% ante abril. No acumulado de janeiro a maio, a queda foi de 0,6%, para 311,31 milhões de metros quadrados. Até abril, o segmento acumulava alta de 4% nas vendas totais.
No mercado interno, houve retração de 15,1% em maio, ante o mesmo mês de 2017, para 48,9 milhões de metros quadrados, e de 15,9% em relação a abril. O setor exportou 6,61 milhões de metros quadrados de revestimentos, com redução de 30,9%, na comparação anual, e de 28,6% ante abril. No acumulado de janeiro a maio, as vendas internas tiveram queda de 0,9%, para 272,97 milhões de metros quadrados, e as exportações, aumentaram 1,9%, para 38,34 milhões de metros quadrados.
Na terça-feira, a Anfacer, que representa 70 empresas de revestimentos cerâmicos e louças, entrou com mandado de segurança contra o tabelamento do frete rodoviário. A entidade estima que o tabelamento resultará em alta de 3,5% nos custos totais.
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), as vendas aumentaram 3,5%, em maio, na comparação anual, sem considerar os impactos da greve dos caminhoneiros no levantamento do mês. As vendas de materiais de base cresceram 5,9%, e as de produtos de acabamento, tiveram alta de 0,1%.
De janeiro a maio, houve crescimento real de 3,1% no faturamento do setor de materiais de construção. A Abramat mantém as projeções de crescimento real de 1,5% do faturamento em 2018. Em nota, a entidade informou que revisou para cima o crescimento de abril. Por outro lado, os efeitos da greve dos caminhoneiros serão registrados pela Abramat em junho.
Fonte: Valor - Empresas, por Chiara Quintão, 14/06/2018

