Os empresários do setor de construção civil estão mais pessimistas. Em maio, a perspectiva de desempenho das empresas de construção caiu para 35,9 pontos, o menor nível desde que o levantamento trimestral começou a ser realizado pelo Sindicato da Indústria de Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon­SP), há quase 16 anos. Em relação a maio do ano passado, o indicador teve retração de 19,7% e, na comparação com fevereiro, queda de 3,2%.

O indicador refletiu a combinação de restrição do crédito, aumento da inflação e das taxas de juros e "falta de confiança nos destinos da economia", segundo o presidente do Sinduscon­SP, José Romeu Ferraz Neto. Segundo ele, o desempenho foi pior do que o registrado em 2003, quando o Produto Interno Bruto (PIB) da construção encolheu 9,9%.

Para a piora das expectativas, contribui também o atraso dos pagamentos para empresas que atuam na faixa 1 do programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo o Sinduscon­SP, os últimos pagamentos foram realizados no dia 8 de maio, e o total em atraso está próximo a R$ 1 bilhão. A média de atrasos é de 33 dias além dos 15 dias após a emissão da nota pelas empresas pequenas, e dos 21 dias depois da emissão pelas grandes.

O presidente do Sinduscon­SP pondera que a pesquisa foi realizada antes de anúncios como a mudança do recolhimento de depósitos compulsórios da poupança, a liberação de mais recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a linha de financiamento pró­cotistas e a alteração na regra para uso de Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRIs) no cumprimento da exigibilidade da poupança. "Acredito que a pesquisa de agosto tende a apresentar melhora dos indicadores", diz Ferraz Neto.

Na pesquisa trimestral realizada pelo Sinduscon­SP, pontuações abaixo de 50 demonstram desempenho desfavorável para a maior parte dos itens, exceto no caso de dificuldades financeiras. Em maio, o indicador de desempenho da empresa foi de 34,5 pontos, com redução de 22,7% na comparação anual e de recuo de 8,6% ante fevereiro. Os empresários também demonstraram piora da percepção do crescimento econômico, para 12,4 pontos, com queda de 45,6% ante maio de 2014 e de 5,6% ante fevereiro.

A percepção em relação à condução da política econômica melhorou, mas ainda aponta pessimismo. A pontuação referente à condução da política econômica foi de 27,7, com alta de 36,7% ante maio de 2014 e aumento de 11,1% ante fevereiro. Os empresários avaliaram ainda que as dificuldades financeiras aumentaram.

O indicador ficou em 69,7 pontos, 24% acima de um ano antes e 15,1% superior ao de fevereiro. No fim de março, o Sinduscon­SP divulgou que espera queda de 5,5% no PIB da construção neste ano. De acordo com o presidente da entidade, a projeção será mantida até que haja definição da terceira fase do programa habitacional, detalhamento do novo programa de concessões e mais clareza em relação à tributação do setor e às mudanças referentes à terceirização.


Fonte: Valor - Brasil, por Chiara Quintão, 12/06/2015