A direção da construtora Mendes Júnior elogiou o pacote de concessões do governo e disse acreditar que o processo da operação LavaJato não vai limitar suas chances de negócios em construção ou operação de ativos. "São situações distintas. Já fizemos nossa defesa na LavaJato. Temos certeza que
teremos oportunidades a avaliar", disse o diretorexecutivo Victório Duque Semionato.
Embora os projetos para rodovias possam ser preenchidos por novas empresas, os investimentos a serem realizados em aeroportos, ferrovias e portos dependem das grandes construtoras, mesmo que a maioria esteja sob investigação na Operação LavaJato, avalia o vicepresidente da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração, Mario Humberto Marques.
Quem no Brasil tem condição de organizar estudos bem feitos e planos de negócios, diz, são grandes construtoras, que sabem orçar, colocar o custo em uma obra. "Elas estão enfrentando algumas dificuldades, mas não dá para pensar em um programa dessa envergadura sem incluir as grandes empresas de construção brasileiras". Para ele, o aumento de demanda por máquinas para construção deve ocorrer apenas no segundo semestre do ano que vem.
O programa anunciado pode ajudar neste ano a reativar um pouco da atividade que estava represada por falta de confiança. No geral, Marques avalia que o programa está atrativo, mas que alguns pontos precisarão ser definidos, para permitir à iniciativa privada operar segundo a concorrência do mercado.
O pacote é motivo de comemoração e um importante passo para a ampliação de um modelo já consolidado, avalia a Associação Brasileira de Concessionária da Rodovias (ABCR), em nota. Alguns pontos que impactam diretamente os investimentos previstos, no entanto, precisam ser reforçados.
As concessões à iniciativa privada de mais quatro aeroportos vão proporcionar avanços importantes para a aviação comercial, mas apenas dentro de dois a três anos e cujos efeitos podem ser diminuídos se o governo insistir no modelo de outorgas nessa etapa, aponta a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).
O programa permite abrir espaço para que a aviação comercial volte a crescer, diz a presidente da TAM, Claudia Sender. O maior número de aeroportos brasileiros concedidos à iniciativa privada melhora a competitividade do modal aéreo no transporte de cargas porque amplia as alternativas, segundo o gerente regional da Lufthansa Cargo,
Cleverton Vighy.
Para a aviação regional, o pacote tem impacto limitado, avalia o consultor da Bain & Company, André Castellini. "Os aeroportos de São Paulo já faziam parte do programa de privatização do governo do Estado e não terão papel importante na aviação regional comercial. São aeroportos importantes para a aviação geral", disse.
As condições de financiamento serão críticas para viabilização da nova etapa do programa de concessões de aeroportos á iniciativa privada, aponta a consultoria Accenture, que destaca ainda a importância que terá o detalhamento das regras dos contratos de concessão.
Fonte: Valor - Brasil, 10/06/2015

