Embalados pelo agronegócio, construção civil e projetos de infraestrutura, os fabricantes de implementos rodoviários acumulam alta de 67,56% até maio no volume de emplacamentos. Segundo números divulgados nesta manhã pela Anfir, entidade que representa cerca de 150 fabricantes em todo o país, foram entregues nos cinco meses do ano 62.552 unidades, contra 37.332 na comparação anual. Somente no mês passado foram licenciados 13.909 implementos, alta de 9% sobre as 12.760 unidades de abril.

A comparação com 2020 é parcialmente prejudicada porque o setor enfrentou retração de produção e entregas entre o fim de março e início de maio do ano passado, por conta das medidas mais severas de restrição impostas pelo combate à covid-19. Mas se comparado ao mesmo período de 2019, quando a indústria passava por período de recuperação pós-crise econômica, a alta ainda é expressiva e chega a 33,81% sobre os 46.745 implementos licenciados na época.

O crescimento do setor tem sido maior no segmento de pesados, justamente o mais influenciado pelo agronegócio e construção civil. A expansão no emplacamento de reboques e semirreboques chegou a 82,93% no acumulado do ano, com a entrega de 36.779 unidades. Em maio foram licenciados 8.007 produtos, alta de 7,14% sobre os 7.473 implementos registrados em abril. Houve crescimento no acumulado do ano em todas as famílias de produtos.

No segmento de leves, a alta foi de 49,61%, com 25.773 implementos licenciados no ano. Esse segmento equipa principalmente os caminhões que circulam nos grandes centros urbanos. Em maio foram entregues 5.902 unidades, expansão de 11,63% sobre o mês anterior, quando foram emplacados 5.287 produtos. Também nesse segmento houve expansão em todas as famílias de produtos.

As exportações do setor estão se recuperando, mas a base de comparação de 2020 é muito pequena por conta também dos efeitos da pandemia no período. No acumulado até abril deste ano, último dado disponível, foram embarcados 1.434 implementos. A alta de 170% é calculada sobre um volume de apenas 531 produtos exportados no ano passado no mesmo período.

O bom desempenho do setor em volume, no entanto, pode não se refletir nas margens das empresas. Um dos principais insumos do setor, o aço, acumula alta de 79% entre janeiro de 2020 e maio deste ano, segundo a Anfir citando números da Fiesp. “Estamos em plena recuperação da economia e não é oportuno aplicar reajuste em insumos tão essenciais como o aço”, afirma José Carlos Spricigo, presidente da Anfir, em nota divulgada hoje.

Em média, o aço representa 70% dos custos do setor e o quinto reajuste do ano já foi anunciado. Segundo Spricigo, as siderúrgicas aplicaram aumentos de 10% a 18% em maio e devem reajustar o produto em mais 15% neste mês. “Não é possível repassar ao cliente e isso compromete a situação da indústria”, afirma em nota.

 

Fonte: O crescimento do setor tem sido maior no segmento de pesados, justamente o mais influenciado pelo agronegócio e construção civil, 07/06/2021