Passada a fase mais aguda da pressão sobre os preços de alimentos, o ritmo de alta da inflação em maio declinou, mas atingiu o teto da meta estipulada pelo governo para o ano.
O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), índice oficial e referência do sistema de metas do governo, registrou alta de 0,37%, abaixo dos 0,55% apurados em abril. O resultado do índice foi melhor que o esperado pelo mercado, de alta de cerca de 0,40%.
A taxa de abril é a menor desde junho de 2012 (0,08%), mês anterior ao período inicial de reajustes mais intensos do alimentos que pressionaram a inflação desde então.
Com o resultado, a taxa acumulada de janeiro a maio ficou em 2,88%. Já a inflação em 12 meses somou uma variação positiva de 6,5%, valor exatamente igual ao teto da meta do governo.
Em março, o estouro do teto, com taxa de 6,59% em 12 meses, acendeu o sinal de alerta do governo e o Banco Central começou a elevar a taxa de juros. Em abril, o índice acumulado em 12 meses foi de 6,49%.
A preocupação com o descontrole da inflação levou o BC a surpreender o mercado e elevar a taxa básica de juros em maio num ritmo superior ao previsto --em 0,5 ponto percentual, para 8% ao ano. A autoridade monetária já havia aumentado a Selic em 0,25 ponto em abril de 7,25% para 7,50% ao ano.
Segundo especialistas, o temor é que a inflação --especialmente de alimentos, que compromete mais o poder de compra das classes de menor renda-- afete a avaliação do governo Dilma neste ano pré-eleitoral. Pesquisas internas encomendadas pelo Planalto, segundo reportagem da Folha, já indicaram uma piora.
FREIO
Em maio, as alimentos cederam para uma alta de 0,31% --abaixo do avanço de 0,96% registrado em abril. As quedas nos preços do tomate (-10,31%), açúcar refinado (-4,11%), óleo de soja (-3,56%) e frango (-3,14%) ajudaram a conter a taxa desse grupo em maio.
"O que vimos de abril para maio foi uma razoável desaceleração e a principal causa do recuo do índice ficou com o desaceleração dos alimentos, que até então era a maior fonte de pressão", disse Eulina Nunes dos Santos, coordenadora do IBGE.
Apesar da freada dos alimentos em maio, o grupo acumula variação positiva de 5,98%, quase o dobro do IPCA. Em 12 meses, a alimentação soma aumento de 13,53%, mais do que o dobro da inflação média.
Segundo Nunes dos Santos, a pressão dos alimentos ficou mais concentrada no primeiro trimestre. Em abril, as taxas do grupo alimentação foram menores do que as do mesmo mês de 2012. O mesmo se repetiu em maio.
"Não é que os alimentos ficaram mais baratos. Ainda acumulam fortes reajustes nos últimos meses. Mas eles têm subido menos em abril e maio graças à entrada da safra recorde e a maior oferta de produtos."
OUTROS GRUPOS
Também contribuiu para a freada da inflação o grupo de transporte, que registrou uma deflação de 0,25% contra uma taxa também negativa de 0,19% em abril. A deflação de maio é resultado da queda dos preços da gasolina (0,52%), etanol (-1,97%) e passagens aéreas (-3,43%).
O aumento das tarifas de meios de transporte urbano em algumas cidades em junho, porém, deve impactar o grupo no resultado do IPCA deste mês.
A desaceleração da inflação do grupo saúde e cuidados pessoais também contribuiu para a freada do IPCA. A alta de maio foi de 0,94%, inferior à de 1,28% de abril graças à menor pressão do aumento dos remédios (1,61%).
Autorizado no fim de março, o reajuste, segundo o IBGE, já foi totalmente absorvido. Ainda assim, os medicamentos foram os itens de maior peso individual no IPCA de maio --0,06 ponto percentual, com alta de 1,61%.
O IPCA é pesquisado mensalmente em nove regiões metropolitanas e duas capitais do país (Brasília e Goiânia) para famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos.
INFLAÇÃO DA MAIS BAIXA RENDA
Já o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação das famílias de rendimento menor (até cinco salários mínimos), teve alta de 0,35% em maio. A variação é inferior à de 0,59% em abril.
Por causa da alta dos alimentos, que pesam mais na cesta de consumo das famílias de menor renda, o índice acumula alta de 3,02% no ano e de 6,95% em 12 meses. Essas taxas são superiores aos índices registrados pelo IPCA.
Fonte: Folha de São Paulo, por Pedro Soares, 07/06/2013

