Os pequenos investidores voltaram a ganhar espaço em abril e maio na Bolsa brasileira e já representam 15,6% do volume financeiro total negociado no mercado acionário do país. Em dezembro de 2014, o percentual foi de 11,2%, segundo dados da BM&FBovespa atualizados até o dia 27 de maio.
No ano passado inteiro, o percentual médio de pessoas físicas com algum investimento em Bolsa foi de 13,7%, o menor nível anual desde 1998, quando foi de 12,3%.
Entre os fatores apontados por analistas para essa retomada do interesse pela Bolsa estão os preços baixos de ações populares como Vale e Petrobras.
Desde maio de 2008, quando a Bolsa atingiu o pico de 73.516 pontos, os papéis preferenciais da mineradora (sem direito a voto) tiveram queda de mais de 71%; os ordinários (com voto), mais de 72% no mesmo período.
Já as ações mais negociadas da Petrobras tiveram queda de 76,5%, enquanto as ordinárias sofreram desvalorização de 78,7% na mesma comparação.
"A Petrobras chama atenção das pessoas. Os papéis caíram muito e alguns investidores podem ter aproveitado para entrar no mercado", disse Evandro Buccini, economista da gestora Rio Bravo.
Parte da procura ocorreu após a estatal divulgar no final de abril os resultados financeiros auditados de 2014, cuja publicação estava atrasada há meses. Em maio, a Petrobras publicou o balanço do primeiro trimestre.
"Esse cenário mais previsível para a Petrobras certamente foi um chamariz de novos investidores. Mas também percebemos que muitos estão tentando fugir da instabilidade das ações mais negociadas e, por isso, compram papéis de outros setores, como educação", afirma Elad Revi, analista-chefe da corretora Spinelli.
ESTRANGEIROS
A alta de quase 10% da Bolsa em abril, motivada principalmente pela entrada de investidores estrangeiros aproveitando a valorização de 20% do dólar para comprar ações baratas, também trouxe mais pessoas físicas para o mercado acionário.
"O pequeno investidor costuma entrar por último, quando o mercado está subindo. Ele perde o impulso inicial", afirma Alexandre Wolwacz, diretor da escola de investimentos Leandro & Stormer.
A retomada das ofertas públicas iniciais de ações pode ajudar a atrair novos investidores pessoas físicas para a Bolsa, avalia Raymundo Magliano Neto, presidente da Magliano Corretora.
"Dependendo da empresa que lançar ações, se for conhecida, pode atrair", diz.
No ano passado, houve apenas uma abertura de capital na Bolsa, a da Ourofino Saúde Animal, fabricante de produtos veterinários.
Apesar da maior participação percentual, o volume negociado em Bolsa em maio deve ficar abaixo do observado nos dois meses anteriores.
Para Elad Revi, da Spinelli, uma das razões é a saída dos grandes investidores da Bolsa, o que abre espaço para o aumento percentual da participação de pessoas físicas.
Em maio, a participação dos investidores estrangeiros no volume total movimentado na Bolsa atingiu 51,7%, o menor patamar desde agosto do ano passado. No ano, a média sobe para 52,4%, o maior nível histórico desde 1994.
Fonte: Folha de São Paulo - Mercado, por Anderson Figo e Danielle Brant, 01/06/2015

