Os juros futuros encerraram a sessão desta segunda-feira (31) em alta, mais expressiva na parte intermediária da curva a termo, de olho em riscos inflacionários.
Os investidores avaliaram a nova elevação das projeções de economistas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) contida no boletim Focus, do Banco Central, além da perspectiva de crise hídrica, que ameaça a geração de energia elétrica do sistema nacional e tem potencial de pressionar ainda mais o nível geral de preços.
Finalizado o pregão regular, às 16h, as taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passaram de 5,03% no ajuste precedente para 5,065%; as do DI para janeiro de 2023 escalaram de 6,58% para 6,665%; as do DI para janeiro de 2025 tiveram alta de 7,79% para 7,85% e as do DI para janeiro de 2027 avançaram de 8,43% para 8,44%.
O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira trouxe, novamente, uma perspectiva negativa em relação ao cenário inflacionário, com nova deterioração das expectativas de inflação. A mediana das projeções dos economistas de mercado para o IPCA no fim deste ano subiu de 5,24% para 5,31% e o ponto-médio das estimativas para a inflação em 2022 teve ligeira alta ao passar de 3,67% para 3,68%.
Os analistas da Bahia Asset Management notam, ainda, que o setor de bens tem compensado surpresas baixistas em dados de inflação recentes e apontam que isso tem feito a média dos núcleos do Banco Central dessazonalizada e anualizada rodar próxima a 5%, “e, portanto, acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta de inflação”. Durante a tarde, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, admitiu que as expectativas inflacionárias estão subindo bastante no Brasil e reforçou que a autoridade monetária está atenta “a esse processo de disseminação da inflação”.
Esse ambiente de expectativas de inflação pressionadas se mostra ainda mais desafiador com o noticiário envolvendo a crise hídrica no Brasil. Durante a tarde desta segunda, chamou a atenção dos agentes de mercado a revisão nas projeções de inflação do Credit Suisse, que passou a esperar que o IPCA termine este ano em 6,0%, e não mais em 5,4%, e que elevou a projeção para a inflação de 2022 de 4,2% para 4,5%, bem acima do centro da meta (3,5%).
Os economistas Solange Srour e Lucas Vilela apontam que, em seu cenário-base, o Banco Central deve elevar a Selic a 6,5% em outubro e deixar a taxa inalterada. “No entanto, acreditamos que aumentou a possibilidade de um cenário em que o BC tenha que elevar os juros para um nível maior do que a taxa neutra (6,5%) neste ano, como está implícito em nossas projeções e nas taxas de inflação implícita”, afirmam. Dados da Renascença DTVM apontam que, na última sexta-feira (28), a inflação de 2021 extraída dos contratos futuros de cupom de IPCA (DAP) atingiu 6,12%, enquanto a inflação implícita de 2022 está pouco abaixo de 5%.
Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Felipe Saturnino e Victor Rezende, Valor — São Paulo, 31/05/2021

