A desaceleração no nível de atividade do setor de construção civil já leva entidades do setor a rever para baixo suas expectativas. Na semana passada, a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) revisou sua projeção de crescimento para 2014 de 4,5% para 3% e, nesta semana, foi a vez de o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) estimar que o Produto Interno Bruto (PIB) da construção terá expansão de 1% a 2% no ano, ante a expectativa anterior de 2,8%.

No caso da projeção do Sinduscon-SP, trata-se ainda de número preliminar. A nova estimativa oficial será definida no fim de junho ou começo de julho. De qualquer forma, a perspectiva é de um ano menos aquecido, e uma das principais razões para a mudança foi o desempenho do indicador do nível de emprego no setor em março e abril abaixo do esperado.

Levantamento do Sinduscon-SP em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que, em abril, a alta ante março foi de 0,14% e, no acumulado dos quatro primeiros meses do ano, de 1,32%. Em março, o indicador tinha caído 0,1% em relação a fevereiro.

Conforme o presidente do Sinduscon-SP, Sergio Watanabe, a atividade da construção desacelerou mais no segmento imobiliário do que no de infraestrutura. O setor vive momento de "grande indefinição", segundo Watanabe.

O desempenho das vendas de cimento em abril também contribuiu para a nova avaliação do Sinduscon-SP, assim como a redução da estimativa da Abramat, anunciada recentemente. Dados do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic) indicam que, em abril, as vendas do insumo caíram 4,9% ante o mesmo mês do ano passado. O Snic mantém a projeção de alta de 2,5% a 3% do consumo aparente de cimento em 2014 e, se revisar a estimativa, fará a mudança em agosto após ter clareza de como foi o primeiro semestre.

Segundo o levantamento da Abramat, as vendas de materiais caíram 2% de janeiro a abril, ante o mesmo intervalo de 2013. No mês de abril, as vendas recuaram 9,1% na comparação com o mês equivalente do ano passado e encolheram 4,4% ante março. A redução pela Abramat do crescimento projetado para o ano resultou do desempenho abaixo do esperado dos segmentos varejo, imobiliário e infraestrutura.

Na piora da percepção do Sinduscon-SP, pesou ainda, de acordo com Watanabe, a menor expectativa em relação ao crescimento da economia brasileira em 2014 em relação à do início do ano. Conforme analistas consultados pelo boletim Focus, do Banco Central, a projeção de crescimento do PIB nacional para este ano é de 1,63%.

Nem mesmo a expectativa do anúncio do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, previsto para esta semana, pela presidente Dilma Rousseff, é suficiente para melhorar as perspectivas do Sinduscon-SP em relação a 2014. Isso porque, de acordo com Watanabe, o efeito do programa na atividade do setor será sentido apenas no próximo ano.


Fonte: Valor, por Chiara Quintão, 29/05/2014