Os lançamentos de imóveis residenciais cresceram 4,2% no primeiro trimestre de 2019, na comparação anual, para 14.680 unidades, conforme levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) divulgado nesta segunda-feira, em evento em São Paulo. Em relação ao quarto trimestre, porém, houve queda de 62,5%.

No 1º trimestre de 2019, as vendas aumentaram 9,7%, para 28.676 unidades, ante o mesmo período do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre, as vendas caíram 18,9%. A oferta final de imóveis encolheu 8,6%, em relação ao primeiro trimestre de 2018 e 6% ante o último trimestre do ano passado, para 120.422 unidades. Da oferta final de imóveis no fim de março, 24% se referem a unidades na planta, 47% a imóveis em construção e 29% a unidades prontas.

Para o presidente da CBIC, José Carlos Martins, há tendência clara de aumento de lançamentos e vendas de unidades residenciais. Segundo ele, o levantamento trimestral da entidade apontou que o setor imobiliário vem apresentando crescimento “lento, gradual, mas constante desde 2017”. O representante setorial ressaltou que as reformas são fator decisivo para mercado imobiliário. “As pessoas postergam a decisão de compra diante das incertezas”, disse.

Por outro lado, “ainda não há confiança dos empresários de colocar, no mercado, todos os produtos que têm nas prateleiras. Com isso, a oferta final vem sendo reduzida”, segundo o presidente da Comissão da Indústria Imobiliária (CII) da CBIC, Celso Petrucci. Atualmente, são necessários 11,6 meses para escoamento da oferta disponível, de 120.422 unidades.

Para Petrucci, a expectativa é sair, em 2019, de cinco anos negativos do Produto Interno Bruto (PIB). No primeiro trimestre, o aumento real do preço de imóveis em relação ao Índice Nacional da Construção Civil (INCC) ficou em torno de 3%.

A CBIC avalia que o aumento do PIB setorial ficará em torno de 2%, neste ano, abaixo da projeção feita, no início de 2019, pela Fundação Getulio Vargas (FGV), de alta de 5%. A redução da expectativa de CBIC se deve à projeção de menor expansão do PIB do país.

Na avaliação da entidade, a habitação de mercado vai puxar o crescimento do setor neste ano. No primeiro trimestre, a participação do programa habitacional ‘Minha Casa Minha Vida’ nos lançamentos caiu para 30%, ante 51% no quarto trimestre de 2018.

A CBIC espera alterações no 'Minha Casa, Minha Vida', neste ano, “agregando novos conceitos”. Para Martins, a primeira fase do programa habitacional se concentrou na aquisição da casa própria, e a próxima etapa precisa ter como foco a moradia, continuando a contemplar a compra de imóveis, mas incluindo outras possibilidades, como locação e moradia temporária. “Temos de agregar diversas propostas para que seja um programa de moradia”, disse.

No próximo dia 4, a entidade vai levar propostas a representantes dos ministérios do Desenvolvimento Regional e da Economia para ampliação do programa habitacional.

Ao ser questionado sobre como avalia as informações que têm circulado na imprensa em relação aos rumos do programa habitacional, Martins leu mensagem recebida do ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, em que o representante do governo pediu que não fossem tiradas conclusões precipitadas. Segundo a mensagem lida por Martins aos jornalistas presentes, Canuto citou que o programa tem dez anos e tamanho de R$ 60 bilhões por ano e “não se altera de forma assodada, sem ouvir diversos setores”.

Na avaliação do presidente da CBIC, foram lançados “alguns balões de ensaio”, como usar terrenos públicos e locação de imóveis. Essas possibilidades precisam ser complementos ao que já existe, no entendimento de Martins. O representante setorial ressaltou que o 'Minha Casa' foi criado, há dez anos, como programa anticíclico em relação aos efeitos da crise de 2008.

Para o presidente da Comissão da Indústria Imobiliária (CII) da CBIC, Celso Petrucci, “vai haver uma mexida no Minha Casa, Minha Vida”. Petrucci destacou que os recursos do Fundo de Garantia do Tempo Imobiliário (FGTS), principal fonte de renda para habitação popular, estão estáveis e os da poupança estão crescendo. Ele citou que há possibilidades de crescimento para o setor, como lançar unidades de R$ 200 mil ou R$ 250 mil em cidades nas quais o teto do programa habitacional é de R$ 190 mil.

Reforma da previdência

Martins afirmou que acredita que a reforma da Previdência será realizada. “Se a reforma da Previdência acontecer, será graças a Paulo Guedes e Rodrigo Maia”, ressaltou. Questionado sobre as manifestações realizadas no último domingo em defesa da reforma, o presidente da CBIC afirmou que “são positivas e representam melhoria para o povo brasileiro".

Nas estimativas da CBIC, se as reformas forem encaminhadas, o mercado imobiliário nacional crescerá de 10% a 15% neste ano. Em abril, os lançamentos de imóveis residenciais em São Paulo dobraram na comparação anual.


Fonte: Valor - Brasil, por Chiara Quintão - São Paulo, 27/05/2019