Dependendo da faixa em que o passageiro trafega, o transporte na Região Metropolitana de São Paulo está andando melhor ou pior. Por conta dos corredores exclusivos, a velocidade média dos ônibus chega a 16 km por hora. Já os automóveis estão andando a 22 km por hora, quando já andaram a 26 km dois anos atrás. Nessa disputa entre carro e transporte coletivo "estamos ganhando o jogo", garante Ivan Carlos Regina, um dos responsáveis pelo planejamento da Empresa Metropolitana de Transporte Coletivo (EMTU).
Naturalmente, nesse jogo, o representante da EMTU está torcendo pelo transporte coletivo. E, a julgar pelos investimentos anunciados, a tendência é que a partida melhore ainda mais em favor dos ônibus, metrôs, trens, BRTs e VLTs. Ivan Regina falou no painel sobre Transporte Coletivo nas Regiões Metropolitanas na Semana de Infraestrutura da Fiesp.
O avanço se dá não só em velocidade, mas também em número de passageiros. "Duas décadas atrás, o carro levava mais gente que o transporte coletivo", diz o técnico. "Nós conseguimos recuperar esse jogo, e temos hoje mais gente andando de transporte coletivo do que no transporte individual", afirma. A pesquisa de mobilidade realizada pelo Metrô em 2012 mostra que o transporte coletivo voltou a se sobrepor ao individual, com 54% das pessoas preferindo o modo coletivo.
Quando se olha para as obras em execução e aquelas planejadas, vê-se que o transporte coletivo tende a andar mais rápido, mesmo com o aumento constante no número de automóveis. No total, o governo disponibilizou R$ 45 bilhões para obras de mobilidade urbana nas Regiões Metropolitanas do Estado - a de São Paulo, Campinas, Vale do Paraíba, Baixada Santista - uma quinta região foi recém-criada em Sorocaba, e não entra nos cálculos. Desse total, R$ 22 bilhões em obras já foram contratados e os outros R$ 23 bilhões estão em fase final de projetos para implementação e devem ser absorvidos em quatro anos.
Só a CPTM tem 14 projetos, dos quais nove já contratados. "Até o momento, R$ 1,3 bilhão estão contratados e outros R$ 500 milhões serão até o final do ano. Ou seja, vamos terminar o ano com R$ 1,8 bilhão em obras contratadas", afirma o técnico.
Só em BRTs (ônibus de trânsito rápido, na sigla em inglês) estão sendo construídos dois corredores tradicionais, um na região de Guarulhos, outro na região Oeste, entre Itapevi e Butantã. De outros quatro projetos, um deve ser contratado até o final do ano e outros três no primeiro semestre de 2015. "O prazo médio das obras é de 18 meses", diz o técnico da EMTU.
Segundo Ivan Regina, o projeto deve entrar em fase de execução em dois meses e deverá atender mais de 175 mil passageiros por dia. Nas quatro regiões metropolitanas, os investimentos em BRTs somam R$ 1,5 bilhão com um aumento estimado de um milhão de passageiros por dia.
Segundo Ivan Regina, o BRT tem velocidade média de 25 km, enquanto a média dos ônibus está em 16 km. Os novos BRTs significarão uma economia de 136 milhões de horas trabalhadas por ano e redução de 28 mil toneladas de CO2.
Na sua "oficina de projetos", a EMTU vem estudando várias alternativas. Um ônibus a hidrogênio, com poluição zero, já está operando em corredor no ABC paulista e outros três devem chegar até o final do ano. "É um programa do estado que está sendo testado com sucesso", diz Regina. "Na verdade, a EMTU funciona também como uma espécie de laboratório. Já testamos ônibus a etanol e temos o primeiro articulado elétrico do mundo, que está rodando com sucesso", afirma.
O primeiro VLT - veículo leve sobre trilhos - chegou ao Brasil em 22 de maio, e foi saudado no dia em que o técnico da EMTU fazia sua apresentação na Fiesp. "Ele estará rodando na Baixada Santista em março, transportando 70 mil pessoas por dia."
Fonte: Valor, por Rosangela Capozoli |, 27/05/2014

