O ex-governador de Pernambuco e pré-candidato à Presidência, Eduardo Campos (PSB), afinou mais uma estratégia de campanha para garantir uma vaga no segundo turno: mostrar aos eleitores, detalhadamente, de que forma vai manter e ampliar as conquistas sociais de 12 anos de governos petistas. A ideia é dividir os votos da presidente Dilma Rousseff, que até o momento surfa, sozinha, nos ganhos sociais de seu governo e da gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Depois de despontar na cena política com um discurso atraente ao setor produtivo, prometendo recolocar a economia nos trilhos e resgatar um ambiente de negócios seguro, Campos tenta ajustar sua agenda para aparecer mais ao lado da população de baixa renda. Ele está preocupado em intensificar o corpo-a-corpo com o segmento que forma a maior fatia do eleitorado petista. Na sexta-feira, ele visitou a comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo - região de baixa renda da capital.
Em entrevista à imprensa na sexta-feira, em Goiânia, ele deixou claro o esforço para despontar como um candidato com viés popular. Após mais uma bateria de críticas ao governo Dilma, Campos foi lembrado pelos jornalistas de que fazia parte dessa gestão até o ano passado. A resposta veio a jato: "Deixei a Dilma no palácio e fui para a rua ficar com o povo".
Ao ser convidado para mais um encontro com empresários, programado para o fim da próxima semana, Campos comentou, contrariado, com um de seus assessores: "Preciso de mais contato com o povo". Ele também planeja dar mais entrevistas para rádios e tentar participar de programas populares na televisão.
Em outra frente, o pessebista vai detalhar, em declarações públicas, como pretende preservar os principais programas sociais de Dilma e Lula. Em Goiânia, ele afirmou a uma plateia de empresários da construção civil que vai "manter, aprimorar e ampliar" o programa Minha Casa, Minha Vida.
Ele se comprometeu a contratar a construção de 1 milhão de casas por ano, em quatro anos de governo, caso seja eleito. O número excede a marca do governo Dilma, que pretende chegar ao fim deste ano com 2,8 milhões de residências contratadas.
Campos também afirmou que vai manter e aperfeiçoar o programa Bolsa Família. Ele acrescentou que ambos devem ser debatidos com seriedade na campanha, e não servir de meros instrumentos para o embate eleitoral.
Outra declaração que converge para o discurso de Dilma mirou os trabalhadores. "Não serei o presidente que vai tirar direitos dos trabalhadores", disse Campos, aos empresários. No pronunciamento oficial relativo ao 1º de Maio, Dilma afirmou que seu governo "nunca será o governo do arrocho salarial, nem o governo da mão dura contra o trabalhador".
Ambos, Campos e Dilma, investem suas fichas na repercussão de um comentário que o senador Aécio Neves (MG), presidenciável do PSDB, teria feito em jantar com empresários em São Paulo, de que adotaria "medidas impopulares" se fosse preciso para fazer ajustes na economia. Contrariado com a divulgação do episódio, Aécio veio a público explicar que disse, apenas, que não governaria olhando os índices de popularidade.
Fonte: Valor, por Andrea Jubé , 26/05/2014

