Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou, em comunicado, que deu início a estudos com o Ministério da Infraestrutura para concessão de rodovias federais em cinco Estados. A previsão é que os leilões ocorram entre o segundo semestre de 2022 e o primeiro semestre de 2023, disse o BNDES. Os investimentos totais são estimados em até R$ 9,6 bilhões.

No informe sobre o tema, o BNDES detalhou que, nesta terça-feira, a instituição e o ministério realizaram primeira reunião para desestatização de 1.646 quilômetros (km) de rodovias federais. Os trechos passam por Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Ceará e Goiás.

 

O encontro contou com representantes do consórcio responsável pelos serviços técnicos de estruturação do projeto. Contratado em abril, o consórcio é formado por Systra Engenharia e Consultoria Ltda (líder), Dynatest Engenharia Ltda e Manesco, Ramires, Perez, Azevedo Marques Sociedade de Advogados.

— Foto: Divulgação/DNIT

Segundo o BNDES, o grupo dará suporte banco ao longo de etapas necessárias para processo de desestatização, incluindo fases de estudos técnicos, de audiências públicas, análise do Tribunal de Contas da União (TCU) e realização dos leilões.

Os estudos, objeto da reunião desta terça, compreenderão a licitação de nove trechos e deverão ser concluídos no primeiro trimestre de 2022, seguidos da aprovação do Ministério da Infraestrutura, consulta pública e análise do TCU, disse o banco. Ainda de acordo com o BNDES, é esperado que trechos rodoviários deem origem a mais de uma concessão.

Em nota, Fábio Abrahão, diretor de Infraestrutura, PPPs e Concessões do BNDES, comentou tratar-se de projeto importante para banco, que faz parte de carteira de ativos logísticos com investimentos estimados em R$ 150 bilhões, “com impacto direto no aumento da eficiência e da competitividade do País, bem como na geração de empregos”.

O BNDES acrescentou que, além de trechos de rodovias existentes, os estudos contemplarão a elaboração de traçados referenciais de trechos a serem construídos, como o Novo Anel Rodoviário de Goiânia, o Novo Anel Rodoviário de Feira de Santana (BA) e o Contorno Rodoviário do Recife (PE).

 

Venda de ações

 

O BNDES vendeu até o momento R$ 65 bilhões de ações que estavam na carteira da BNDESPar, braço de participações do banco de fomento. O presidente do banco disse ainda que outros R$ 12 bilhões de participações da União foram vendidos pelo banco de fomento, principalmente neste caso na fatia do governo no IRB e em debêntures da Vale.

"Um banco público que carrega R$ 65 bilhões para especular em bolsa de valores é desperdício de recursos, independentemente se der lucro ou não. Colocar em atividade que não desenvolvem o Brasil, é jogar recurso no lixo", disse Montezano.

Segundo ele, o objetivo é pegar os recursos da venda e investir principalmente em atividades que apoiem pequenos e médios empresários. "Temos que sair do risco especulativo que não desenvolve o Brasil e entrar no risco que desenvolve o Brasil", disse.


Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Alessandra Saraiva, Valor — Rio, 25/05/2021