Com intuito reduzir uma lacuna na oferta de financiamento a infraestrutura no Nordeste, o Banco do Nordeste (BNB) começou a estruturar um fundo de investimentos que poderá captar até R$ 2 bilhões. O veículo aplicará recursos na compra debêntures incentivadas - que possuem isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas - emitidas por empresas com projetos nas áreas de atuação do banco.
Desde 2018, os recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) foi autorizado a financiar grandes projetos de infraestrutura na região. No entanto, a prioridade da fonte de recursos ainda é o crédito para micro e pequenas empresas. Somente no ano passado, dos R$ 25 bilhões de FNE aplicados pelo BNB, apenas cerca de R$ 6, 6 bilhões destinados a grandes empreendimentos na área de infraestrutura.
Segundo o diretor financeiro e de crédito do banco, Hailton José Fortes, atualmente o BNB tem um limite de emprestar até 50% dos recursos necessários para execução dos prejetos de infraestrutura. Pelas regras vigentes, os acionistas devem colocar no mínimo 20%, ficando em aberto cerca de 30% do financiamento restante. “O fundo vem para suprir em parte desse espaço”, explica o diretor.
O próprio BNB será um dos cotistas do fundo, com fatia ainda não revelada. Após o processo de escolha dos prestadores de serviços como gestor, administrador e custodiante do fundo, o BNB irá começar uma busca ativa por recursos de investidores no mercado de capitais. Segundo Fortes, todo o processo deve ser concluído até outubro.
Grande parte da demanda por recursos para infraestrutura no Nordeste hoje vem de empreendimentos do setor de energia eólica e solar, segmentos que serão priorizados pelo fundo. A região também carece de recursos para saneamento, portos e aeroportos e estradas.
Fortes diz que o BNB tentará conseguir o selo ESG, dado a fundos que investem em empresas que apresentam padrões de atuação de destaque nas áreas de meio ambiente, sociedade e governança. “Muitos investidores hoje tem mandato para investir uma determinada fatia dos recursos em veículos ESG”, explica.
Se for no modelo de Fundo de Investimento em Infraestrutura, também conhecido com FI-Infra, o veículo será constituído sob a forma de condomínio fechado, o que significa que o investidor não poderá resgatar suas cotas antes do prazo de duração do fundo. No entanto, há a possibilidade de vender suas cotas no mercado secundário, ou seja, a outros investidores, a preço de mercado.
Regulamentados pela CVM em 2019, o patrimônio total dos FI-Infra listados na B3 é hoje de R$ 4,5 bilhões. Segundo Fortes, o BNB estuda a alternativa de estruturar o novo fundo sob o formato de Fundo de Direitos Creditórios (FDIC).
Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Marina Falcão — Do Recife, 24/05/2021

