O resultado do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de março reforçou o mau desempenho da economia no primeiro trimestre, já apontado por indicadores como a produção industrial e o volume de serviços prestados no país. O indicador caiu 0,74% em relação a fevereiro, feito o ajuste sazonal, um tombo bem pior que a queda de 0,2% apontada pela média das projeções dos 24 analistas ouvidos pelo Valor Data. No primeiro trimestre, o IBC-Br recuou 0,13% na comparação com o trimestre anterior.
O número corrobora a avaliação dos analistas de que a recuperação da atividade se dá num ritmo lento e gradual. Na visão do Bradesco, o IBC-Br, em conjunto com outros indicadores divulgados anteriores, está em linha com a projeção de crescimento do PIB no primeiro trimestre de 0,3% em relação ao anterior, na série livre de influências sazonais. O IBC-Br é uma aproximação "imperfeita" do PIB divulgado pelo IBGE, na definição do economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs, o que ajuda a entender os resultados com frequência diferentes apresentados pelos dois indicadores.
No quarto trimestre do ano passado, o IBC-Br subiu 0,9% na comparação com o trimestre anterior, enquanto o PIB avançou apenas 0,1%. A expectativa dominante é de que o PIB tenha registrado um pequeno crescimento nos três primeiros meses do ano. O PIB Mensal do Itaú Unibanco, por exemplo, subiu 0,3% no trimestre, o número que o banco também projeta para o PIB do período em relação aos três meses anteriores.
Ao comentar o IBC-Br de março, o economista-chefe da corretora Tullet Prebon, Fernando Montero, observa que o recuo de 0,74% registrado em março ocorreu sobre uma série que foi revisada para baixo em 0,28%. Ele destaca ainda que a herança estatística para o indicador em 2018 vem piorando a cada mês. Em dezembro, era de 2,3%, o que significa que, se o IBC-Br terminasse 2018 no mesmo nível do fim do ano passado, o crescimento neste ano seria de 2,3%. Esse número recuou para 1,4% no IBCBr de janeiro, 1,24% no de fevereiro e para apenas 0,36% no de março.
A avaliação dos analistas é que a economia ganhará fôlego nos próximos trimestres, especialmente devido ao nível baixo dos juros, como ressaltam os economistas do Bradesco. A questão, notam eles, é que "existem dúvidas sobre a velocidade de retomada". Ela se mostra abaixo do necessário para concretizar a projeção do banco de expansão para o ano, de 2,5%. "De todo modo, as condições para o crescimento estão colocadas, especialmente quando levamos em conta a desalavancagem das famílias, os estoques mais ajustados e os efeitos defasados da política monetária", ponderam o Bradesco, em relatório.
A recuperação lenta do mercado de trabalho, com retomada fraca do emprego formal, ajuda a explicar a perda de dinamismo da economia no primeiro trimestre. Além disso, os juros dos empréstimos e financiamentos seguem elevados, porque o spread bancário caiu pouco. Há também empresas e famílias bastante endividadas, o que desestimula o consumo e o investimento. Para completar, as incertezas eleitorais tendem a afetar decisões das companhias de investir mais.
No primeiro trimestre, a produção industrial ficou estável em relação ao trimestre anterior, feito o ajuste sazonal, enquanto o volume de serviços prestados caiu 0,9%. Já as vendas no varejo ampliado (que reúnem automóveis, autopeças e material de construção) aumentaram 1% nessa base de comparação.
Fonte: Valor - Macroeconomia, por Sergio Lamucci, 17/05/2018

