As vendas de cimento no mercado brasileiro permaneceram em trajetória de recuperação em abril e saltaram 26,5% frente ao mesmo mês do ano passado, para 5,3 milhões de toneladas, segundo relatório setorial divulgado há pouco pelo Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC).

Mas o forte crescimento ainda reflete principalmente a fraca base de comparação do início do ano passado, quando o avanço da pandemia de covid-19 levou à interrupção das atividades no país - abril foi o pior mês de 2020 para a indústria de cimento, com retração acima de 6% em relação ao mesmo mês de 2019.

Em quatro meses, as vendas do insumo acumularam alta de 20,8%, para 20,5 milhões de toneladas, ante igual periodo do ano passado. Os primeiros meses de 2020 foram afetados por chuvas e o início da pandemia. A expectativa é a de que até maio o efeito estatístico alavanque as variações positivas nessa base de comparação.

O volume de vendas por dia útil, considerado o melhor indicador pela indústria, cresceu 8,2% no mês passado frente a março e 25,8% ante abril de 2020, para 237,2 mil toneladas.

Segundo o SNIC, obras imobiliárias e reformas residenciais e comerciais puxaram a recuperação das vendas de cimento em abril. Porém, a entidade observa que o índice de confiança do consumidor segue com retomada “sofrível”. “Os resultados são surpreendentemente positivos até o momento, mas ainda sem sustentação, conforme indica a projeção do PIB da construção civil com a significativa queda de 4% para 2,5%”, disse o presidente do SNIC, Paulo Camillo Penna.

Conforme o executivo, as vendas da indústria têm sido sustentadas pelo mercado imobiliário residencial, o que impõe cautela em relação ao futuro. “A diversificação da fonte de demanda é primordial e os resultados dos leilões de abril apontam para o retorno do segmento da infraestrutura como importante vetor de consumo a médio prazo”, afirma.

 
 

Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Stella Fontes — De São Paulo, 11/05/2021