Com melhora expressiva no lucro líquido, aumento da receita e da rentabilidade, a Tenda - com foco de atuação no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida - projeta que continuará a gerar caixa nos próximos trimestres e mantém sua meta de crescer entre 10% e 15% ao ano nos próximos três anos. A partir do quarto ano, de acordo com o diretor financeiro da Tenda, Renan Sanches, a manutenção desse crescimento demandará que a Tenda passe a atuar também em novas regiões.
No primeiro trimestre, a Tenda gerou caixa de R$ 55 milhões. O número reflete o repasse de parte dos recebíveis dos clientes que estavam previstos para ocorrer no quarto trimestre de 2017, mas que ficaram para o início deste ano devido a problemas nas contratações da Caixa Econômica Federal. De acordo com Sanches, a expectativa é continuar a gerar caixa nos próximos trimestres, mas em patamar menor.
No fim de março, a Tenda tinha caixa líquido de R$ 282,6 milhões e alavancagem medida por dívida líquida sobre patrimônio líquido negativa em 23,4%. A companhia vai buscar alavancagem próxima a zero no longo prazo, com oscilação de até dez pontos percentuais para mais ou para menos.
O lucro líquido da companhia aumentou 91,5%, para R$ 36,3 milhões. "A expansão resulta do crescimento do tamanho da operação. Conseguimos lançar mais no ano passado", diz o executivo. A receita líquida teve alta de 12,7%, para R$ 366,1 milhões. Além do aumento da receita, houve menos efeitos não recorrentes no primeiro trimestre na comparação anual. A margem bruta ajustada passou de 34,6%, no primeiro trimestre de 2017, para 35,2% de janeiro a março deste ano. A companhia mantém sua meta de margem bruta ajustada de 33% a 35% para este ano.
No trimestre, a Tenda teve impacto negativo de R$ 12 milhões por necessidade extraordinária de obra para reforçar contenção de um empreendimento entregue, em Belo Horizonte, devido a chuvas acima da média histórica. Desse total, R$ 3 milhões foram registrados como custos extraordinários e R$ 9 milhões, como provisões. Houve também impacto negativo de R$ 9 milhões decorrente de plano de opções.
Em abril, a Tenda entregou, na cidade de São Paulo, seu primeiro empreendimento com elevador no atual modelo de negócios. O projeto foi lançado em dezembro de 2016. Os prédios com elevadores responderão por 80% dos lançamentos da Tenda na regional São Paulo e por 20% do total lançado pela companhia neste ano.
No mercado, há quem critique que projetos para a baixa renda tenham elevadores em função da possibilidade de aumento do custo do condomínio. Segundo o diretor financeiro, esse custo não será elevado para os moradores, pois outras despesas terão diluição maior. Nos prédios com elevadores, a Tenda produz 160 unidades em vez de 100.
Fonte: Valor - Empresas, por Chiara Quintão, 11/05/2018

