O IPCA ficou, mais uma vez, abaixo das projeções do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Desde março, quando foi divulgada a última projeção oficial para a inflação, o IPCA ficou 0,22 ponto percentual abaixo do esperado.
Mais importante: os núcleos de inflação seguem todos muito baixos, o que na terminologia adotada pelo Copom significa que os resultados são menores do que os valores mensais consistentes com o piso da meta de inflação.
O IPCA de abril ficou em 0,22%, segundo dados divulgados ontem pelo IBGE. No Relatório Trimestral de Inflação de março, o BC comunicou que esperava que o índice ficasse em 0,33%. É a segunda surpresa desde a divulgação do documento. Em março, o BC previa 0,2%, mas o índice ficou em 0,09%.
Essa surpresa positiva seria suficiente para fazer o BC rever sua projeção de inflação para 2018 divulgada no relatório, de 3,8% para 3,6%, no chamado cenário de mercado. Esse exercício usava uma cotação do dólar de R$ 3,40 no fim do ano. O dólar chegou a encostar em R$ 3,60 nos últimos dias, e fechou ontem cotado a R$ 3,5461.
Os índices mensais não estão apenas surpreendendo, mas ficando muito abaixo da trajetória para chegar à meta de inflação deste ano, de 4,5%, e do ano que vem, de 4,25%. A aposta do Banco Central é que, à medida em que a economia reagir, a inflação vai convergir para as metas.
A inflação surpreendentemente baixa apoia a tese de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros na semana que vem. O Copom havia indicado que só se desviaria dessa indicação, feita em março, no caso de se mostrar desnecessária a mitigação do risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas de 2018 e de 2019.
Talvez a depreciação cambial ajude nessa tarefa, mas para tanto teriam que ter um efeito maior do que apenas uma mudança de preços relativos - seria preciso o dólar mais caro se disseminar para o resto da economia e alterar a tendência subjacente da inflação.
O Banco Central tem chamado muita atenção para os núcleos de inflação. Desde fins de 2017, o BC tem chamado de confortáveis os núcleos de inflação consistentes com a convergência da inflação à meta e de baixos aqueles que indicam uma certa perpetuação da inflação abaixo do piso da meta de inflação deste ano, de 3%.
Em abril, todos os cinco núcleos de inflação mais populares no mercado ficaram muito baixos, entre 0,04% e 0,25%, o que significa que são inferiores ao valor consistente com o piso da meta, ajustado ciclicamente. Não foi um ponto fora da curva. Excetuando dezembro, quando alguns núcleos ficaram na faixa que o BC descreve como confortáveis, eles têm ficado consistentemente baixos desde novembro do ano passado.
Fonte: Valor - Macroeconomia, por Alex Ribeiro , 11/05/2018

