Os investimentos da Tenda em digitalização, reforçados no início da pandemia de covid-19 para facilitar a venda online de imóveis, foram a principal razão para a companhia com foco na baixa renda ter elevado seu lucro líquido em 109,5%, no primeiro trimestre, na comparação anual, para R$ 36,9 milhões. “As despesas não aumentaram proporcionalmente à receita”, afirma o diretor financeiro e de relações com investidores, Renan Sanches.
Diante do desempenho das vendas online, a Tenda reduziu o número de lojas físicas, no trimestre, de 87 para 67. Pode haver novos fechamentos neste ano.
De janeiro a março, enquanto a receita líquida cresceu 45%, para R$ 602,9 milhões, e as vendas brutas tiveram incremento de 50%, para R$ 812,2 milhões, as despesas com comercialização aumentaram 3%, para R$ 49,5 milhões. O total de despesas com vendas, gerais e administrativas tiveram alta de 25,7%, para R$ 97,9 milhões.
A Tenda revisou seu orçamento de obras em função do aumento de custos de materiais. Com isso, a margem bruta caiu de 30,7%, para 29,7%, e a margem bruta ajustada passou de 31,8% para 31,1%. A meta para o indicador ajustado, no patamar de 30% a 32%, já previa o estouro de custos.
“Acreditamos que o grosso do ajuste de orçamento já tenha sido feito. Se houver novas revisões, serão pontuais”, diz Sanches. A companhia tem conversado com fornecedores de insumos, como aço, e não espera continuidade de altas nos níveis que vinham ocorrendo.
A Tenda consumiu caixa de R$ 97 milhões. A queima de caixa do modelo de construção em canteiros de obras, chamado de “on-site” pela companhia, foi de R$ 60 milhões, como reflexo das restrições decorrentes da pandemia nos repasses dos recebíveis dos clientes para os bancos, e no avanço de obras. Com o feriado em março para reduzir o deslocamento de pessoas, parte dos repasses previstos para o mês foi postergada para abril. No mês passado, a companhia voltou a gerar caixa. “Acredito que haverá geração de caixa, no ano, mas não descarto volatilidade ao longo dos trimestres.”
Na construção industrializada, ou “off-site”, houve consumo de caixa de R$ 37 milhões devido aos investimentos para a implantação da fábrica em Jaguariúna (SP). O maquinário sueco foi recebido, e a inauguração da unidade ocorrerá no começo do quarto trimestre. Há previsão que o potencial de dez mil unidades por ano, no modelo industrializado, será alcançado até 2026. A empresa obteve certificação que possibilita, assim como no modelo tradicional, repasse dos recebíveis dos clientes para a Caixa Econômica Federal durante as obras.
Na primeira fase do projeto “off-site”, toda a produção irá para o interior de São Paulo. Na segunda etapa, quando a Tenda poderá definir nova fábrica, outros estados poderão ser incluídos.
Fonte: Folha de São Paulo - Empresas, por Chiara Quintão — De São Paulo, 06/05/2021

