O governo vai publicar esta semana o edital para a construção do Ramal do Agreste, canal de 75 km que vai levar água do eixo leste da transposição do rio São Francisco, em Pernambuco, para a Adutora do Agreste, outro importante projeto hídrico da região Nordeste.
 
Na semana passada, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, revelou em um seminário de infraestrutura que o complexo de obras que integram o projeto da transposição será preservado do contingenciamento de recursos.

De acordo com um ministro que participou de reunião com a presidente Dilma Rousseff no dia 25, a ordem é que as obras que estão em andamento sejam concluídas para que "as águas corram" o mais rápido possível. Além da transposição, atualmente orçada em R$ 8,2 bilhões, estão em execução no Nordeste outros quatro grandes projetos hídricos, com investimentos que passam dos R$ 4,5 bilhões apenas nas atuais fases de construção.

A maioria sofre com atrasos. O governo tenta tirar o Ramal do Agreste do papel desde 2011, mas questionamentos da Controladoria-Geral da União (CGU) bloquearam o andamento da obra, que vai captar água na cidade de Sertânia (PE) e despejá-la em Arcoverde (PE). O objetivo é dar perenidade à Adutora do Agreste, hoje abastecida de forma irregular por mananciais e reservatórios da região.

A licitação será feita pelo modelo integrado do Regime Diferenciado de Contratações (RDC), que inclui o projeto de engenharia e a obra física. A estimativa é que o empreendimento custe cerca de R$ 1,2 bilhão e fique pronto em 30 meses. A decisão de manter os investimentos no Nordeste vem na esteira da necessidade de Dilma recuperar a popularidade na região que tem garantido as vitórias petistas nas eleições presidenciais. De acordo com o Instituto Datafolha, a reprovação ao governo Dilma no Nordeste explodiu desde a eleição presidencial, passando de 12% em outubro de 2014 para 57% em abril deste ano.

Projeto importante para a região, a transposição do São Francisco está com execução física de 73,7%, sendo 75,1% no eixo norte e de 71,6% no eixo leste. O empreendimento deve beneficiar 12 milhões de pessoas em 390 municípios nos Estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. O Ministério da Integração Nacional informa que mais de 9 mil trabalhadores e 3,5 mil máquinas estão envolvidos nas obras. A previsão é que a transposição seja entregue no fim de 2016.

Até lá, entretanto, o custo deve voltar a subir. O Valor apurou que questões relacionadas ao tipo de solo em algumas áreas vão resultar em um aditivo. O anúncio do novo valor deve ser feito até junho. Os 14 lotes de obras estão sendo feitos pelo Exército e por dez empreiteiras: Carioca, Serveng, S.A. Paulista, Mendes Junior, Queiroz Galvão, Ferreira Guedes, Construcap, Toniollo Busnello, Somague e FBS.

Além da transposição, estão em execução no Nordeste as obras do Canal do Sertão Alagoano (3º e 4º trechos), da Adutora do Agreste (1ª etapa), do Cinturão das Águas do Ceará (1ª etapa) e da Vertente Litorânea da Paraíba. Para esses projetos, a orientação é de continuidade, mesmo que os cronogramas tenham que ser refeitos por restrições de orçamento.

As novas obras, por outro lado, terão que esperar. Pelo menos oito estão na gaveta do Ministério da Integração Nacional, entre elas o eixo sul da transposição do rio São Francisco e do Canal do Xingó, além das próximas etapas das obras existentes. O aperto fiscal coloca dúvidas sobre a possibilidade desses projetos acontecerem.


Fonte: Valor Econômico, por Murillo Camarotto , 04/05/2015