O cenário de exportação está mais favorável para as fabricantes de bens de consumo como calçados, vestuário, artigos de higiene e beleza e alimentos industrializados. O principal estímulo é o avanço da vacinação e a consequente recuperação da economia em países como EUA e China, maiores importadores de produtos brasileiros. O real desvalorizado também colabora para uma maior competitividade do produto nacional.

No setor calçadista, março mostrou o ponto de virada para a recuperação. Foram embarcados 12,3 milhões de pares, 38,5% mais que um ano antes, somando US$ 70,84 milhões. No comparativo com fevereiro, houve crescimento de 23,3% em volume e de 15% em receita.

A Grendene, por exemplo, teve salto de 44% no volume exportado, e de 61% em receita, no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2020. “A moeda deixou nosso produto mais competitivo”, diz Alceu Albuquerque, executivo da empresa.

O presidente da Abicalçados, Haroldo Ferreira, diz que o dado sinaliza “normalização” no mercado internacional, que ocorre com o avanço da vacinação em massa, principalmente nos EUA. A expectativa é de aumento de 13% em volume em relação a 2020, mas ainda abaixo de 2019.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), a alta na exportação é de 14,1% no primeiro trimestre ante mesmo período de 2020. Para as fabricantes de massas secas, biscoitos, bolos e pães industrializados, o mercado externo deve crescer 15% no primeiro semestre na comparação com igual período de 2020.

Na área de beleza e higiene pessoal, as exportações em 2020 e neste ano colaboraram para reduzir o déficit da balança comercial do setor, o que não ocorria havia uma década. Nos primeiros meses do ano, as vendas externas cresceram 3,6% na base anual, para US$ 148,5 milhões.

Já o setor têxtil aumentou em 11% o volume de exportações no primeiro trimestre, mas ainda está 8% abaixo do valor em igual período de 2020, antes do agravamento da primeira onda da pandemia, diz Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

Apesar do cenário externo positivo, empresários têm reclamado dos custos altos para exportar.


Fonte: Valor Econômico - Impresso, por Raquel Brandão — De São Paulo, 30/04/2021