O Instituto Butantan começou ontem a produzir a Butanvac, vacina contra a covid-19 que ainda precisa ser aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo Dimas Covas, diretor do instituto, até 15 de junho serão fabricadas 18 milhões de doses, em três lotes de 6 milhões cada. Em outra frente no movimento que tenta reforçar a oferta de vacinas, o Ministério da Saúde anunciou que em maio chegam ao país 4 milhões de doses de vacinas.
A capacidade de produção do Butantan pode chegar a 150 milhões de doses, se for necessário, afirmou Covas. A tecnologia do imunizante é similar à da vacina contra a gripe e não há necessidade de insumos importados para sua produção.
O Butantan protolocou pedido de testes de fase 1 e 2, com voluntários, mas a Anvisa pediu, anteontem, mais informações ao laboratório. Durante o anúncio do início da produção, ontem, governador paulista João Doria (PSDB) pediu celeridade à agência na aprovação dos testes. “Espero que Anvisa tenha senso de urgência para aprovar a nova vacina”, afirmou.
Doria ainda anunciou que a entrega de 600 mil doses da Coronavac serão antecipadas do dia 3 de maio para amanhã. Na próxima quarta-feira, mais 1 milhão de doses serão entregues. O Butantan está finalizando a entrega da primeira encomenda de Coronavac feita pelo governo federal, de 46 milhões de doses e já prepara a produção de outras 54 milhões de doses, contratadas em fevereiro. Covas afirmou que está em tratativas para que o laboratório chinês Sinovac envie 6 mil litros do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) até a segunda semana de maio, o que permitirá acelerar a produção desse segundo lote. O laboratório previa a entrega de metade desse volume.
A oferta de vacinas deve aumentar um pouco mais com a chegada de 1 milhão de doses da Pfizer. Segundo o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o produto deve chegar a São Paulo no fim da tarde de hoje. No ano passado, o governo Jair Bolsonaro rejeitou a compra de 70 milhões de doses desse imunizante, o que atrasou o cronograma de vacinação no país.
Ontem, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou que o governo receberá em maio 4 milhões de doses de vacinas contra covid-19 adquiridas por meio do consórcio Covax Facility. A previsão inicial era receber 2 milhões, mas o governo conseguiu antecipar a remessa de junho. O ministro também informou que participará amanhã de uma reunião com o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus. Na contramão dos discursos de Bolsonaro, Queiroga exaltou a importância de organismos multilaterais no combate à pandemia.
Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Cristiano Romero, 29/04/2021

