O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, refirmou nesta quarta­-feira, durante apresentação à Comissão de Finanças da Câmara dos Deputados, a importância que o grau de investimento representa para atrair investimentos ao Brasil. Levy destacou que é preciso ter confiança no médio prazo para tomar a decisão de investir.

Segundo o ministro, a política fiscal tem como objetivo estabilizar a dívida pública e permitir que ela volte a diminuir, porque isso “vai permitir que as pessoas voltem a investir no Brasil. Levy mostrou gráficos para evidenciar que o Investimento Estrangeiro Direto (IED) aumentou de R$ 20 bilhões para R$ 60 bilhões depois que o Brasil obteve o grau de investimento.

“Por isso é tão importante não perdermos o investment grade. Felizmente, esse risco hoje parece muito menor do que quando cheguei aqui a Brasília no começo do ano”, afirmou Levy. O ministro ponderou que tal risco pode “voltar a galope” se o ajuste fiscal não for feito.

Neste momento, um dos deputados presentes à audiência interrompeu a fala de Levy para dizer que, se o exministro da Fazenda Guido Mantega estivesse à frente da pasta, teria sido um “fracasso total”. A presidência da mesa pediu que os deputados não interrompessem a fala e que o ministro não respondesse à intervenção do parlamentar. “Temos tido resultado positivo”, afirmou Levy.

Desonerações

A respeito das desonerações, Levy afirmou que a proposta de nova sistemática para desoneração da folha de pagamentos proposta pelo governo diminuiria a renúncia fiscal de R$ 25 bilhões para 12 bilhões ao ano. Apesar da queda expressiva, ele ponderou que esse volume é igual a programas importantes do governo, como o Minha Casa, Minha Vida.

“Empresas continuarão a receber uma desoneração de R$ 12 bi, que é da ordem de grandeza do Minha Casa, Minha Vida”, afirmou.

O ministro destacou ainda que um dos objetivos do governo é simplificar a cobrança de tributos. “Essa desoneração de tributos é muito complicada, tem que se discutir se cada produto está desonerado ou não”, disse.



Fonte: Valor Econômico, por Ligia Guimarães e Edna Simão , 29/04/2015