O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem interesse em estimular a entrada de novos atores nacionais no segmento de construção civil de infraestrutura. A presença desses novos agentes no setor pode se dar, inclusive, via associação com parceiros internacionais ou investidores financeiros. O banco também entende que é preciso buscar uma "recomposição" das empresas nacionais da área da construção tendo-se por base novos padrões de sustentabilidade e integridade.
O diagnóstico ocorre em um momento em que há perspectivas de um novo ciclo de investimentos em infraestrutura no país. Essa expectativa de retomada nos investimentos coincide, porém, com fase em que as grandes empreiteiras ainda enfrentam as consequências da Lava-jato.
O BNDES também busca atuar nas empresas de engenharia e construção de médio porte, contribuindo para a redução das lacunas de desempenho que as distanciam das grandes empreiteiras. José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), acredita que é preciso criar um modelo que permita ampliar a participação de empresas. "Temos que provocar disputa para que mais gente participe", disse Martins. Ele é um dos palestrantes do seminário "Novo ciclo de investimentos em infraestrutura e a transparência na construção civil", que será promovido hoje pelo BNDES, no Rio.
O apoio do BNDES ao setor poderá se dar nas etapas de planejamento e estruturação de projetos tanto para o governo federal quanto para Estados e municípios. O banco também pode apoiar investidores na execução dos empreendimentos, além de incentivar empresas, sobretudo as de médio porte, via qualificação de mão de obra, ampliação e modernização do parque de equipamentos e construção de um "novo paradigma" de planejamento e gestão.
Fonte: Valor - Brasil, por Francisco Góes - do Rio, 25/04/2019

