A menos de dois meses do início da Copa 2014, o governo, por meio da Telebrás, e as operadoras de telefonia móvel ainda enfrentam dificuldades para a instalação das redes ′indoor′ - que vão garantir a cobertura nos estádios para uso da população - e da infraestrutura de fibra óptica para transmissão dos jogos. Além das obras inacabadas em alguns estádios, como o Itaquerão em São Paulo, e a Arena da Baixada, em Curitiba, o trabalho em torno das arenas dificulta a instalação da rede da Telebrás para a transmissão dos jogos.
Segundo Eduardo Levy, diretor executivo do Sinditelebrasil, as operadoras móveis negociam com a administração dos estádios desde maio do ano passado, mas encontraram muitas dificuldades para fechar os acordos comerciais em função dos preços que estavam sendo cobrados, com alguns clubes exigindo até o patrocínio nas camisas dos times. "Eles queriam cobrar os preços dos aluguéis das áreas nobres dos estádios, onde ficam os estabelecimentos comerciais, com valores entre dez e 20 vezes mais altos do que os que as prestadoras costumam pagar por aluguel de espaço. Mas as operadoras estão ocupando as áreas nos subsolos, nas quais esses preços não se justificam", explicou Levy.
Os últimos acordos foram fechados em março com as administrações dos estádios do Itaquerão e Arena da Baixada. O atraso na liberação das arenas para início das obras, porém, deve dificultar a instalação da infraestrutura interna de telefonia móvel, que exige, pelo menos, um prazo de 150 dias.
"Dos 12 estádios, dez vão estar em condições perfeitas. Curitiba e São Paulo contarão com o serviço só nas áreas prioritárias, como as arquibancadas e cadeiras. Mas teremos dificuldades em áreas de estacionamento e túneis de acesso", diz Levy.
A cobertura ′indoor′ permite oferecer aos torcedores serviços de 2G, 3G e 4G para ligações de celular, envio de mensagens multimídia e navegação na internet em alta velocidade. Já está em fase de ajustes finais em Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e Salvador. Em Cuiabá, Manaus, Natal e Porto Alegre, os acordos comerciais foram fechados e já se iniciou o processo de instalação. Em Natal e Porto Alegre, as administrações já solucionaram os problemas nas salas em que os equipamentos serão instalados.
O investimento total para a implantação da cobertura ′indoor′ nos 12 estádios é de R$ 200 milhões. Por meio da tecnologia DAS - a mesma utilizada nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012 -, o sistema permite o atendimento dos serviços móveis com mais qualidade e capacidade do que as soluções usadas no passado.
Claro, Oi, Nextel, TIM e Vivo fizeram parceria para a implantação de um projeto único. Os equipamentos das empresas ficam instalados em uma sala e dali parte uma rede de fibras ópticas que ligará 400 pequenas antenas distribuídas ao longo do estádio para garantir cobertura nas arquibancadas, camarotes, vestiários, corredores, praças de acesso e estacionamentos. As antenas captam o sinal, enviam pela rede de fibra até o equipamento DAS, que identifica a prestadora e encaminha a transmissão para a sua rede.
As operadoras propuseram às administrações dos estádios a instalação de rede Wi-Fi. Dos 12 estádios, os de Brasília, Cuiabá, Manaus, Porto Alegre, Rio e Salvador autorizaram e os demais ainda não, possivelmente porque optaram por construir a própria infraestrutura de rede Wi-Fi.
"A experiência com a Copa das Confederações recomendou um esforço em algumas áreas para o tráfego de voz e dados, ainda mais levando-se em conta que não havia ainda rede Wi-Fi. Estamos prevendo um aumento de 50% no tráfego de dados e de 15% no tráfego de voz", diz Levy. Na Copa, o tráfego nos estádios foi de 1,7 milhão de ligações de celular e mais de 4,6 milhões de comunicações de dados.
Já as equipes técnicas da Telebrás correm para concluir a construção dos anéis ópticos que interligam as 12 arenas ao Centro Internacional de Coordenação de Transmissão (IBC), no Rio. "Até meados de abril estivemos parados à beira dos estádios, aguardando para passar a fibra, mas estamos começando a ver avanços", diz Francisco Ziober Filho, presidente da Telebrás.
Fonte: Valor, por Carmen Nery, 23/04/2014

