O índice de atividade econômica apurado pelo Banco Central finalmente deu sinal mais claro de que a brutal recessão ficou para trás.
Mediu-se expansão de 1,3% em fevereiro, acima do que esperavam os especialistas. Vigorosa para um único mês, a taxa deve ser comemorada, mas com certa cautela.
Embora eficiente em antecipar a tendência da economia, o indicador do BC não costuma ter boa pontaria quando se trata de prever a intensidade das variações.
Além do mais, a cifra foi afetada por mudanças metodológicas adotadas pelo IBGE na apuração do desempenho do comércio e dos serviços neste início do ano.
Apesar das dúvidas a respeito do real ritmo da recuperação, há consenso de que o Produto Interno Bruto tenha crescido no primeiro trimestre. A alta esperada para o ano, porém, não passa de 0,4%.
Nesse quadro, cálculos de economistas do mercado indicam que o BC poderia acelerar ainda mais o ritmo de corte dos juros. Mesmo que seja essa a escolha, a questão mais premente no campo monetário é a resposta dos bancos.
Até agora, o custo dos empréstimos para empresas e consumidores tem caído muito menos que os juros do BC. A manter-se tal padrão, a recuperação econômica será mais lenta e menos vigorosa.
Não parece haver atitude prática e imediata a ser tomada por governo e BC a esse respeito. Mas serão importantes sinais de que a agenda da redução das taxas bancárias continua na pauta oficial.
Um exemplo foi o aperfeiçoamento das normas dos cartões de crédito definido ao final do ano passado, ao que tudo indica bem-sucedido no objetivo de proporcionar juros menores —embora ainda elevadíssimos— aos usuários.
Tais mudanças não se darão sem resistência dos bancos. Em dezembro, o próprio ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, fez uma cobrança pública ao mercado.
Há mais a fazer, decerto. Acredita-se que boa parte da dificuldade em cobrar menos nos empréstimos esteja relacionada ao elevado endividamento das empresas, que impõe custos e riscos aos credores.
Não se sabe, entretanto, se o governo dispõe de um diagnóstico preciso sobre o problema. Outros fatores a serem atacados incluem o custo dos tributos e a excessiva concentração bancária.
Enfim, as autoridades econômicas precisam buscar soluções criativas dentro da ortodoxia. A reversão da crise está em curso —falta o desafogo do crédito ao consumo e ao investimento.
Fonte: Folha de São Paulo - Editorial , 19/04/2017

