As cúpulas do Senado e da Câmara dos Deputados não chegaram a um acordo quanto às modificações no texto da Medida Provisória (MP) do Contrato Verde e Amarelo. Com isso, a proposta deve mesmo expirar e, portanto, perder seus efeitos na próxima segunda-feira.

O impasse ocorre porque o Senado insiste em modificar trechos que tratam principalmente das relações trabalhistas, o que obrigaria o retorno da MP à Câmara. Caso isso aconteça, de fato, os deputados precisarão avaliar essas mudanças até segunda-feira, antes de o texto perder a validade.

Desde quinta-feira, o governo vinha negociado para que o relator da MP no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE), compartilhasse as discussões com o relator da Câmara, deputado Christino Aureo (PP-RJ). A ideia era que a MP chegasse à Câmara com menos resistência e, deste modo, tivesse uma votação mais célere.

Valor apurou que, como os deputados não aceitaram algumas das alterações que seriam feitas pelo Senado, ficou “complicado” dar seguimento à tramitação de última hora, explicou uma fonte.

O Contrato Verde e Amarelo foi proposto pelo governo em dezembro para desonerar a folha de salários e estimular a contratação de jovens entre 18 e 29 anos que nunca tiveram emprego formal. Mas traz em seu conteúdo também uma série de dispositivos que estão sendo chamados de “minirreforma trabalhista” pelos parlamentares.

A Câmara já havia atenuado alguns desses itens. Ainda assim, há forte resistência entre senadores de centro ao texto elaborado pelo governo. Tanto que as bancadas do MDB e do PSD acabaram de se declarar contra a votação na sessão que acontece neste momento.

Eles rejeitam implementar mais mudanças trabalhistas num momento de pandemia do novo coronavírus. “Está incomodando o Senado o fato de a faca do governo estar afiada somente para um lado, o da classe trabalhadora”, disse um senador que participou das negociações.

O sinal de divergência foi confirmado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que decidiu, na quinta-feira à noite, convocar sessão deliberativa apenas para a próxima quarta-feira, ou seja após o prazo de validade da medida.

Com isso, Maia sinalizou a aliados que, mesmo se o Senado fizesse as alterações na MP, a tendência não era convocar sessão extraordinária para tentar apreciar o texto de última hora.


Fonte: Valor Econômico - Política, por Renan Truffi e Marcelo Ribeiro-Brasília, 17/04/2020