São Paulo ainda recicla pouco sua água: a cada 25 metros cúbicos (m³) de esgoto tratado, apenas 1 m³ é levado paratratamento de reuso.

O governo de São Paulo investe em grandes obras de interligação de sistemas como tentativa de amenizar os efeitos da crise hídrica no estado. Porém, investimentos nos serviços de saneamento, que deveriam ser prioritários neste momento, vêm sendo postergados. Esse cenário vai contra a busca por soluções, que devem ter como foco otratamento de esgoto e o reúso.
Segundo o presidente da Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente (Apecs), Luiz Roberto Pladevall, os investimentos para o saneamento na cidade de São Paulo estão em segundo plano. ′Temos poucos programas específicos para a crise e muitos cortes no investimento para essa área′, ressalta.
Soma-se à esse cenário a crise financeira da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A empresa anunciou nesta semana que quer aumentar em 22,7% a tarifa de água e esgoto, índice pleiteado pela estatal para repor os prejuízos causados pela crise hídrica.
Segundo Pladevall, a postergação das obras de saneamento tem origem nos cortes de investimentos, além do alto valor para a sua execução. ′A cada 25 metros cúbicos [m³] de esgoto tratado, apenas 1 m³ é utilizado para reúso. Essetratamento é de alto grau de sofisticação, por isso é caro′, exemplifica.
Desafio
Para o diretor da Apecs, o maior desafio da capital para o saneamento é urbanizar as áreas com habitações irregulares, responsáveis por grande parte do esgoto despejado nos rios e córregos da cidade. ′Sem a urbanização, que deve ser realizada pela prefeitura, a Sabesp não tem condições e acesso para instalar o sistema de coleta′, defende.
Pladevall aponta que a cidade também enfrenta dificuldades por ser uma região metropolitana. ′Os investimentos devem integrar os todos os municípios da região.′
Plano municipal
Em meio à crise, os municípios do estado não refletiram a fundo sobre a questão do Plano Municipal Saneamento Básico, que devem ser prontificados até o ano de 2016.
Segundo a advogada em Direito Público da Consultoria em Administração Municipal (Conam), Isabela Giglio, os municípios estão com dificuldade para elaborar o plano pela falta de profissionais especializados e de orientação da União. ′Entre as cem maiores cidades do País, apenas 27 têm o plano′, diz. A capital paulista sancionou seu plano em 2007.
Além disso, as administrações públicas ainda não fizeram a integração do plano com a Lei Nacional de Resíduos Sólidos. ′Consta na lei a limpeza urbana como um todo, que deve incluir também o tratamento do esgoto.′
São Paulo ainda recicla pouco sua água: a cada 25 metros cúbicos (m³) de esgoto tratado, apenas 1 m³ é levado paratratamento de reúso (Foto: Fotos Públicas)
Fonte: Diário Comércio Indústria & Serviços, por Beatriz Peixoto, 17/04/2015

