A Trisul pretende lançar, neste ano, Valor Geral de Vendas (VGV) superior ao de 2014. "Depois de quatro anos com baixo volume de lançamentos, a empresa começa a ter falta de receita e menos lucro. Lançamentos baixos resultam em dividendos baixos. Assim, os acionistas me mandam embora. Precisamos lançar mais do que no ano passado", diz o presidente da Trisul, Jorge Cury.

A Trisul, que lançou R$ 808 milhões em 2010, teve lançamentos de R$ 323 milhões em 2011, de R$ 289 milhões em 2012, R$ 325 milhões em 2013 e R$ 237 milhões no ano passado. Em 2014, o VGV lançado pela Trisul caiu 27%, e a companhia vendeu metade do que comercializou no ano anterior. A receita encolheu 29%, e o lucro ficou 34% menor.

A empresa não tem meta do VGV a ser lançado em 2015, e a intenção é que seja inferior ao seu patrimônio líquido. No fim do ano passado, o patrimônio líquido da companhia era de R$ 570 milhões. O valor a ser lançado, efetivamente, dependerá do cenário de mercado. "Estamos prontos para crescer outra vez se as condições macroeconômicas ajudarem", diz Cury.

Há quatro anos, a Trisul informou ao mercado que focaria sua atuação nos segmentos de médio e alto padrão e que a prioridade seria reduzir as dividas e buscar a geração de caixa. Depois de registrar estouros de orçamento, empresa passou a se dedicar mais ao controle de custos. A arrumação da casa foi feita de 2011 a 2013.

"No ano passado, estávamos prontos para crescer. Poderíamos ter lançado mais do que o dobro do que fizemos", conta Cury. A postergação de alguns projetos deveu-se, principalmente, à decisão da empresa de adequar a parcela referente a terrenos situados nos chamados eixos de estruturação urbana da capital paulista ao novo Plano Diretor, para melhor aproveitamento das áreas.

A atuação da Trisul está concentrada na cidade de São Paulo. "Decidimos lançar, em 2014, só o que estava fora dos eixos. Tínhamos capacidade operacional e banco de terrenos para lançar mais. Agora, o problema não é o Plano Diretor, mas o mercado", diz o presidente da Trisul. Segundo Cury, seu receio é lançar bons produtos que não sejam valorizados em função do cenário macroeconômico atual.

Assim como a maior parte do setor, a Trisul tem direcionado esforços para a redução das unidades em estoque, principalmente as já concluídas. Do total de estoques da companhia, 75% são imóveis prontos.

Este é o sétimo semestre consecutivo em que a Trisul tem campanha de vendas. Há possibilidade de negociação de descontos, mas o foco da campanha atual são benefícios não relacionados, diretamente, à aquisição de imóveis, como pagamento, pela incorporadora, da conta de supermercado do cliente por um ano, da viagem de lua de mel ou de um ano de mensalidade escolar.

Segundo Cury, a Trisul tem conseguido preservar sua rentabilidade, mesmo com as campanhas para acelerar vendas. "Não queremos fazer negócios por necessidade", diz o presidente da incorporadora. Há expectativa, de acordo com o executivo, que as unidades residenciais em estoque de três e quatro dormitórios localizadas fora dos eixos estruturantes tenham valorização nos próximos anos.
    


Fonte: Valor Econômico, por Chiara Quintão, 15/04/2015