O volume de cimento vendido no país caiu 1,2% no primeiro trimestre, em comparação com o início do ano passado, aponta o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (Snic). Foram vendidas 14,7 milhões de toneladas. Em março, foram 5,4 milhões de toneladas, com recuo de 2,1% em um ano.
O indicador de vendas por dia útil mostra uma queda de 2,3% na comercialização no primeiro trimestre, em comparação com os três primeiros meses de 2022.
Em março, a média de vendas por dia útil foi de 215,9 mil toneladas, queda de 5,9% sobre março de 2022 e de 2,3% ante fevereiro deste ano. As vendas acumuladas nos últimos 12 meses, até maio, somam 62,5 milhões de toneladas, baixa de 2,3% ante os 12 meses terminados em março do ano passado.
Até fevereiro, a previsão do Snic era elevar o volume de vendas em neste ano de 0,8% a 1%, após queda de 2,8% em 2022. Agora, o presidente Paulo Camillo Penna diz que já trabalham com chance de nova redução, ainda que “modesta”.
Os motivos são os mesmos que justificam a queda no volume vendido, como taxa de juros ainda alta, inflação e endividamento das famílias, além da desaceleração do mercado de trabalho e do aumento do custo de matérias-primas.
Enquanto outras áreas dos materiais de construção estão com custos sob controle, Penna afirma que os materiais para a fabricação do cimento voltaram a subir. Ele destaca aumentos de 24% na energia elétrica, de 25% em sacaria e de 17% em refratários no primeiro trimestre. O coque de petróleo caiu 3% em 2022 e 4% neste primeiro trimestre, mas avançou 200% desde 2020, segundo a entidade.
Preocupam o setor também a queda dos lançamentos imobiliários, as alterações na legislação sobre saneamento básico e a reforma tributária. “O boom de lançamentos de 2020 e 2021 deve terminar com as entregas das obras e as vendas aceleradas”, afirma Penna.
Para ele, os novos decretos sobre saneamento básico têm pontos positivos, ao incorporar esforços do setor público, mas trazem insegurança regulatória em momento de início de obras. Sobre a reforma tributária, a entidade pede alíquotas diferenciadas para a construção.
Apesar das dificuldades, o Snic está otimista com a volta do Minha Casa, Minha Vida, que só deve ganhar tração no segundo semestre, observa Penna. Mais lançamentos econômicos podem ajudar a balancear a redução de novos projetos de média e alta renda.
Segundo o Snic, a meta do governo de criar 2 milhões de moradias até 2026 representaria venda adicional de 8 milhões a 12 milhões de toneladas de cimento, a depender do método construtivo (blocos de alvenaria ou paredes de concreto). No entanto, a entidade pontua que essa meta pode ser otimista demais, já que teria que ser atingida em apenas 3 anos e meio.
A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) também divulgou seu indicador nesta terça-feira (11). O índice Abramat apontou queda de 6,5% no faturamento do setor no primeiro trimestre, ante o início de 2022. Em março, a queda anual foi de 7,9%, embora tenha havido pequena alta de 0,4% no faturamento sobre fevereiro deste ano.
Diferentemente do Snic, a Abramat continua na expectativa de um resultado positivo em 2023, com 2% de alta no faturamento.
Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Ana Luiza Tieghi, Valor — São Paulo, 12/04/2023

