Em discurso enviado ao Fundo Monetário Internacional, o ministro Paulo Guedes (Economia) disse que a nova onda de covid-19 “lança maior incerteza e estresse acima do normal” para a economia brasileira, mas acrescentou que o cenário é de retomada.
Guedes destacou a resposta coordenada do governo brasileiro no combate aos efeitos econômicos da pandemia no ano passado e disse ter um “bom presságio para uma retomada rápida na atividade econômica à medida que as restrições impostas pela pandemia se dissipam”.
Segundo ele, a escala e força da política das respostas das economias de mercado avançadas e emergentes indicaram uma reversão da brusca desaceleração que se seguiu ao choque do segundo trimestre de 2020. “Estímulos fiscais adicionais nas principais economias avançadas e o progresso da vacinação sugerem um crescimento global mais forte em 2021 do que o inicialmente esperado”, acrescentou. O FMI elevou de 3,6% para 3,7% a projeção de crescimento para o Brasil neste ano.
No discurso, Guedes diz ainda que “o acesso equitativo às vacinas para promover uma vacinação rápida e mundial é o investimento de maior retorno globalmente”. Ele faz um apelo aos setores público e privado, assim como às organizações multilaterais e à cooperação bilateral, “para ajudar a preencher as lacunas de financiamento e distribuição, inclusive incentivando a transferência de tecnologia e o licenciamento voluntário de propriedade intelectual”.
Em evento virtual promovido ontem pelo Itaú, Guedes também buscou destacar o otimismo em relação à economia, apesar do recrudescimento da pandemia. Segundo ele, o governo se volta novamente às medidas emergenciais de combate à crise, mas o esforço é para aliar preservação da saúde com responsabilidade fiscal.
O auxílio emergencial foi retomado nesta semana e o Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm) deve ser lançado “a qualquer momento”, afirmou Guedes, sem dar detalhes. Impostos do Simples Nacional foram diferidos e outras medidas devem ser tomadas, como a antecipação do 13º de aposentados e a retomada do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).
Enquanto vigora a nova rodada do auxílio emergencial, o governo trabalha em um novo programa social e em iniciativas voltadas aos trabalhadores informais, explicou. Ele reforçou a ideia de fazer a “aterrissagem” do auxílio em um programa de renda básica que seja fiscalmente sustentável e focado.
A proposta do governo sempre foi de “remover gradualmente” as camadas de proteção, disse, e o ministro da Cidadania, João Roma, está trabalhando no futuro programa social. No ano passado, a equipe econômica tentou avançar com o Renda Brasil, que substituiria o Bolsa Família, mas a ideia não saiu do papel.
Para os trabalhadores informais, chamados de invisíveis, são pensados programas específicos, como a carteira verde e amarela, afirmou. O ministro destacou que o cadastro do auxílio emergencial permitiu ao governo identificar esses trabalhadores, o que facilita a formulação das políticas.
Segundo Guedes, a ideia é ajudar essa parcela da população a conseguir emprego e criar um “bônus de inclusão produtiva”. “Não é só inclusão social, mas inclusão social produtiva”, disse, citando a proposta de um Imposto de Renda negativo. A ideia deve entrar em funcionamento “em breve”, segundo o ministro.
No discurso enviado ao FMI, Guedes também fez referência ao processo de alta dos juros iniciado pelo Banco Central. “O BC elevou a taxa básica de juros para garantir que a inflação e as expectativas sigam dentro da meta para o horizonte relevante para a política monetária. Mesmo com o recente aumento da taxa de juros, a política monetária permanece muito acomodatícia”, disse. Além disso, “o setor financeiro, que estava muito bem posicionado quando a crise estourou, tem mostrado notável resiliência”.
Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Fabio Graner, Mariana Ribeiro e Lu Aiko Otta — De Brasília, 07/04/2021

