A experiência do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) que  serviu de inspiração para o Brasil Mais Produtivo conseguiu elevar de 21% a 133% a produtividade em empresas envolvidas no projeto­piloto. O ganho médio foi de 42%, segundo Rafael Lucchesi, diretor­geral do Senai.

"Com modificações rápidas e de baixo custo nos processos produtivos, os resultados têm um impacto enorme." As mudanças "no chão de fábrica" foram implementadas em um período de um a três meses, afirma Lucchesi. Houve diminuição de mercadorias com defeitos e do tempo de processamento. O pilar do projeto era utilizar sempre os recursos humanos e instrumentos existentes na própria empresa. A parte do Senai envolvia a alocação de consultores para reorganizar procedimentos.

Foram selecionadas 18 empresas de médio porte ­ com faturamento entre R$ 3,6 milhões e R$ 20 milhões ­ de cinco setores: alimentos, confecção, calçados, metal­mecânico e brinquedos. Elas estavam localizadas em quatro Estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Ceará. Um exemplo das mudanças é a Delta Frio, que fabrica ventiladores para câmaras frias e outros equipamentos de refrigeração no município de São Sebastião do Caí (RS). O galpão da empresa tinha excesso de estoque, mas faltavam peças na hora de montar o produto. A configuração de uma das prensas ultrapassava 100 minutos. Quase todas as peças chegavam na montagem final com amassados ou com algum tipo de defeito.

Com isso, o embalador perdia horas reparando o produto antes de enviá­lo aos clientes. Os consultores mobilizados pelo Senai propuseram a criação de uma linha de montagem, eliminação de estoques desnecessários para liberar espaço, reorganização das bancadas de trabalho e dos insumos necessários para cada funcionário. A configuração da prensa caiu para 35 minutos. Só esse ganho em eficiência fará com que a empresa economize quase R$ 300 mil por ano.

A estruturação refletiu na redução do tempo total para a montagem do produto: passou de 44 minutos para meia hora. Assim, a Delta Frio aumentou em 21% a capacidade de produção diária, passando de 28 para 34 ventiladores industriais. "Alcançamos outro patamar de produção quase sem investimento e percebemos que a produtividade está nas mãos da empresa", diz o coordenador de produção da empresa, Leonardo Kich.


Fonte: APeMEC, 06/04/2016