O Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou deflação de 0,30% em março, informou o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).
A variação ficou acima da mediana das estimativas de 17 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, de queda de 0,39%. As projeções iam de baixa de 0,5% a queda de 0,31%.
Com esse resultado, o índice acumula recuo de 0,97% no ano e de 4% em 12 meses. Em fevereiro, a taxa havia sido negativa em 0,41%. Em março de 2023, o índice havia recuado 0,34% e acumulava queda de 1,16% em 12 meses.
“Os fatores determinantes para a diminuição menos acentuada do índice ao produtor incluem a variação nos preços da soja, que passou de uma queda de 10,02% para um aumento de 2,71%, além das alterações nas variações da mandioca, de -0,54% para um acréscimo de 7,02%, e do açúcar VHP, que passou de -1,17% para 7,45%. No segmento do consumidor, onde se observou uma desaceleração na média de variação do índice, as mudanças foram impulsionadas principalmente pelo grupo de alimentação. Itens in natura, como a batata inglesa e a cenoura, apresentaram significativas flutuações de preço, indo de 10,02% para -16,51% e de 13,65% para -6,51%, respectivamente. Por outro lado, no setor da construção civil, um leve aumento nos custos da mão de obra, de 0,05% para 0,42%, contribuiu para a aceleração do índice”, diz André Braz, coordenador dos indicadores de inflação do FGV Ibre, em comentário no relatório.
Com peso de 60%, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI) cedeu 0,50% em março. No mês anterior, o índice havia registrado queda de 0,76%. Na análise por estágios de processamento, a taxa do grupo Bens Finais passou de 0,50% em fevereiro para decréscimo de 0,23% em março. A principal contribuição para esse resultado partiu do subgrupo alimentos in natura, cuja variação foi de 6,25% para 0,10%.
O índice de Bens Finais “ex”, que resulta da exclusão de alimentos in natura e combustíveis para o consumo, caiu 0,29% em março, após diminuiu 0,19% em fevereiro.
A taxa do grupo Bens Intermediários passou de recuo de 0,17% em fevereiro para 0,68% em março. O principal responsável pelo avanço da taxa do grupo foi o subgrupo materiais e componentes para manufatura, cuja taxa passou de baixa de 0,62% para 0,71%.
O índice de Bens Intermediários “ex”, calculado após a exclusão de combustíveis e lubrificantes para a produção, subiu 0,61% em março, ante queda de 0,34%, no mês anterior.
O estágio das Matérias-Primas Brutas caiu 2,15 % em março, após baixa de 2,70% em fevereiro. Contribuíram para este movimento os seguintes itens: soja em grão (-10,02% para 2,71%), mandioca/aipim (-0,54% para 7,02%) e milho em grão (-5,27% para -3,13%). Em sentido oposto, vale citar os seguintes itens: minério de ferro (-4,94% para -14,37%), arroz em casca (-4,18% para -10,19%) e café em grão (3,68% para 0,72%).
Com peso de 30% no IGP, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI) aumentou 0,10% em março. Em fevereiro, o índice subiu 0,55%. Sete das oito classes de despesa componentes do índice registraram decréscimo em suas taxas de variação: Transportes (0,87% para 0,21%), Educação, Leitura e Recreação (-1,17% para -2,22%), Alimentação (1,06% para 0,56%), Despesas Diversas (2,05% para 0,42%), Comunicação (0,43% para -0,31%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,56% para 0,32%) e Vestuário (0,34% para -0,03%).
As principais contribuições para esse movimento partiram dos seguintes itens: gasolina (2,60% para 0,35%), passagem aérea (-6,51% para -12,03%), hortaliças e legumes (5,75% para -0,54%), serviços bancários (3,51% para 0,74%), combo de telefonia, internet e TV por assinatura (0,49% para -0,46%), artigos de higiene e cuidado pessoal (0,95% para 0,40%) e roupas (0,33% para -0,11%).
Em contrapartida, o grupo Habitação (0,32% para 0,53%) apresentou acréscimo em sua taxa de variação. Nessa classe de despesa, o destaque foi a tarifa de eletricidade residencial, que passou de -1,50% na medição anterior para 0,35% na atual.
O núcleo do IPC-DI registrou taxa de 0,27% em março, 0,15 ponto percentual (p.p.) abaixo do resultado apurado no mês anterior, de 0,42%.
Dos 85 itens componentes do IPC, 43 foram excluídos do cálculo do núcleo. Desses, 28 apresentaram taxas abaixo de 0,01%, linha de corte inferior, e 15 registraram variações acima de 0,56%, linha de corte superior.
O índice de difusão, que mede a proporção de itens com taxa de variação positiva, ficou em 56,77%, 8,71 ponto percentual abaixo do registrado em fevereiro, quando o índice foi de 65,48%.
Por fim, com os 10% restantes do IGP-DI, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) variou 0,28% em março, ante 0,13% no mês anterior. Os três grupos componentes do INCC registraram as seguintes variações na passagem de fevereiro para março: Materiais e Equipamentos (0,20% para 0,18%), Serviços (0,04% para 0,25%) e Mão de Obra (0,05% para 0,42%).
O IGP-DI e seus componentes comparam preços coletados entre o dia 1º e o último do mês de referência com os do mesmo período do mês imediatamente anterior.
Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Felipe Frisch, Valor — São Paulo, 04/04/2024

