SÃO PAULO - Os analistas de mercado voltaram a baixar suas expectativas para o desempenho da economia neste ano e agora preveem retração de 1% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, de acordo com o boletim Focus, do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira. Na semana passada, a previsão era de queda de 0,83%.
Para 2016, a estimativa caiu de 1,20% para 1,05%.
Na sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o PIB aumentou apenas 0,1% em 2014, um resultado puxado pela forte queda na formação bruta de capital fixo (medida de investimentos) e na demanda doméstica.
Embora não tenha deixado “herança” estatística negativa para este ano, analistas ouvidos pelo Valor consideraram que os fatores negativos presentes em 2014 vão se aprofundar em 2015. A absorção interna - que agrega o consumo das famílias, gastos do governo e os investimentos - registrou alta de apenas 0,1% em 2014, após expansão de 2,7% em 2013.
Em 2015, no lado das famílias, o forte aumento dos preços administrados (como a energia elétrica) deve diminuir a renda disponível para o consumo. Já os investimentos devem ter outro ano bem negativo. O enfraquecimento do consumo terá impacto negativo nos serviços e também na indústria. No Focus, a queda estimada para a produção industrial deste ano passou de -2,19% para -2,42%.
Por outro lado, o setor externo pode dar uma contribuição positiva, por causa da alta do dólar, embora não o suficiente para gerar um saldo positivo no PIB. O Focus mostra que a projeção para o saldo da balança comercial melhorou pela segunda semana consecutiva e agora os analistas esperam superávit de US$ 4 bilhões.
No relatório trimestral de inflação, divulgado na quinta-feira, o BC estimou que as exportações devem ter uma alta de 2,4% no PIB este ano, enquanto as importações devem cair 8%.
Fonte: Valor Econômico, por Ana Conceição, 30/03/2015

