O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, destaca em entrevista a possibilidade de a autoridade monetária intensificar os cortes da Selic a partir de abril. Ao jornal The Nikkei, o dirigente afirma que o BC está analisando fatores como expectativas de inflação e atividade econômica antes do próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom). “Estamos abertos a tomar qualquer decisão”, afirma Ilan.
A assessoria de imprensa do BC esclarece que a entrevista concedida por Ilan ao jornal japonês foi concedida no dia 6 de março, apesar de ter sido divulgada nesta quarta-feira em sua versão em inglês. O conteúdo da fala do dirigente, explica a assessoria, se referia à flexibilidade aberta pela ata do Copom, publicada em 2 de março.
A retomada da economia também foi discutida pelo presidente do BC. A expectativa de Ilan é de retorno do crescimento em 2017 diante do recente avanço de preços em minério de ferro e outras commodities. A indústria e a agricultura sairão da recessão mais cedo, mas "o setor de serviços levará mais tempo porque foi o último a ser afetado", na avalição do dirigente. Ilan comenta ainda que a meta revisada de crescimento na China, para cerca de 6,5% neste ano, é uma “boa notícia” uma vez que é suficiente para garantir a demanda por minério de ferro e as exportações brasileiras.
Ainda sobre o exterior, o aperto monetário dos Estados Unidos pode levar a um aumento nos custos de empréstimos para os mercados emergentes. No entanto, o Brasil está preparado, nota o dirigente do BC. Quando questionado sobre a possibilidade de adoção de políticas protecionistas pelo governo de Donald Trump, Ilan aponta que não é esperado um grande impacto na economia do Brasil, que é relativamente fechada.
Durante a entrevista, o presidente do BC destaca que as políticas da gestão Michel Temer apontam na “direção correta para uma maior responsabilidade fiscal", o que deve contribuir para a economia. As falas foram feitas num trecho em que o jornal The Nikkei destaca que o escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras continua causando instabilidade no governo.
Fonte: Valor - Finanças, por Lucas Hirata, 29/03/2017

