Sem fôlego mais expressivo da atividade, o desemprego deve ter queda pouco significativa neste ano na avaliação do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), que já vê sinais de reversão na retomada das contratações. Na seção de mercado de trabalho do Boletim Macro, o pesquisador Daniel Duque estima que a taxa média de desocupação medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, encerrará 2019 em 12,1% - 0,2 ponto abaixo do verificado em 2018.

"As tendências de alta da população ocupada e queda da população desocupada estão em progressiva desaceleração", observa Duque. No trimestre encerrado em janeiro, o percentual de desempregados sobre a força de trabalho ficou em 12%, ante 12,2% em igual período do ano passado, mencionou.

Como, no entanto, a parcela de desocupados caiu somente 0,2 ponto sobre o mesmo trimestre móvel de 2018, a taxa de desemprego aumentou ligeiramente em relação ao mês imediatamente anterior após o ajuste sazonal feito pela entidade, destaca o pesquisador, "o que significa já uma tendência recente de reversão de sua tendência de queda registrada ao longo de 2018".

Para Silvia Matos, coordenadora do boletim, além de pequeno, o recuo previsto para o desemprego neste ano terá perfil pior. "A taxa de desocupação pode ficar parecida, mas com composição mais desfavorável", diz ela, referindo-se à participação ainda relevante de trabalhadores informais na geração de vagas e ao avanço do desalento, situação em que pessoas desistem de procurar uma ocupação após muito tempo sem conseguirem algo.

A massa real de rendimentos, que combina a expansão do contingente de ocupados e os salários médios recebidos habitualmente, deve crescer menos em 2019 do que em 2018 nas projeções do Ibre, após a exclusão de um "outlier" da série - como são chamadas as observações da pesquisa, que provocam distorções.

Desconsiderando um milionário que passou a integrar a amostra da Pnad em dezembro de 2016 e saiu em 2018, a massa salarial avançou 2,9% em 2018 e, neste ano, deve crescer 2,5%, estima Duque. "Há mais pessoas voltando a procurar trabalho. Isso dificulta os ganhos salariais e limita uma aceleração mais forte do consumo das famílias", diz Silvia.

Para o Caged, que mede apenas a movimentação no mercado formal, o Ibre manteve a estimativa de criação de 740 mil postos de trabalho de 2019, maior do que as 525 mil vagas celetistas abertas em 2018.


Fonte: Valor, por Arícia Martins - de São Paulo, 26/03/2019