Os juros médios cobrados pelo sistema financeiro nas suas operações de crédito subiram de 20,7% ao ano para 20,9% ao ano entre janeiro e fevereiro, maior patamar desde maio de 2012. A alta mensal acontece em linha com a continuidade do movimento de aumento da taxa básica de juro, que está em 10,75% ao ano.
Os dados, divulgados pelo Banco Central (BC), mostram que o custo médio do dinheiro subiu 2,4 ponto percentual desde que o Copom começou a apertar as condições monetárias em abril do ano passado.
Em fevereiro, a alta dos juros foi mais forte nas operações contratadas com pessoas físicas, cujas taxas médias subiram de 26,8% em janeiro para 27,2% em fevereiro, maior patamar desde maio de 2012. Já para as pessoas jurídicas as taxas apontaram alta de 0,1 ponto, para 16%, vindo de 15,9% em janeiro.
A alta dos juros cobrados pelo sistema financeiro em fevereiro é explicada pelos spreads bancários, que avançaram em 0,4 ponto, para 12,2 ponto percentual em fevereiro. O spread é a diferença entre os custos de captação dos bancos e o percentual cobrado dos clientes nos empréstimos. O custo médio de captação dos bancos não contribuiu para a alta do juro, ao cair 0,2 ponto, de 8,9 ponto em janeiro para 8,7 ponto em fevereiro.
Nas operações de crédito com pessoas físicas, o spread passou de 17,3 pontos percentuais para 18 pontos percentuais de janeiro para fevereiro. No crédito às empresas, foi verificada alta de 7,6 pontos para 7,7 pontos.
O BC apontou ainda que o saldo dos empréstimos e financiamentos do sistema financeiro nacional (SFN) aumentou 0,6% em fevereiro, fechando o mês em R$ 2,733 trilhões. Como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) estimado para os 12 meses encerrados em cada período, o estoque de crédito no Brasil manteve-se em 55,8% de janeiro para fevereiro.
Após a queda sazonal de mais de 20% vista de dezembro de 2013 para janeiro deste ano, a média diária das concessões de empréstimos e financiamentos do sistema financeiro nacional, que mostra o fluxo de crédito novo, recuperou-se e subiu 12% em fevereiro.
Fonte: Valor, por Eduardo Campos e Monica Izaguirre , 26/03/2014

