As vendas fracas de imóveis residenciais no ano passado impactaram os planos das construtoras. Para as empresas, o foco em 2015 será zerar a quantidade de imóveis "encalhados" e avaliar novos projetos com cautela.

A Gafisa --que teve seu lucro comprometido pelo fraco desempenho do segmento Tenda, de habitação popular-- postergou projetos, na expectativa de que o mercado reaja. Já a Even condiciona os próximos produtos à demanda e ao ritmo de venda dos imóveis em estoque --os que não são vendidos até três anos após o lançamento.

No ano passado, a maioria das empresas de capital aberto registrou queda no número de lançamentos ante 2013. Na Cyrela, por exemplo, foram lançados 29% menos empreendimentos em 2014 do que no ano anterior. PDG, Direcional e Tecnisa também lançaram menos.

Os números são resultado do desaquecimento do mercado, e as empresas, em geral, trabalham com a perspectiva de vender esse estoque.

Apenas na cidade de São Paulo, o número de imóveis em estoque foi recorde em 2014, de 27.255 unidades, segundo dados do Secovi-SP (o sindicato do mercado imobiliário). É o maior em dez anos, início da série histórica.

Segundo os analistas Lucas Gregolin Dias e Caio Moreira, da Fator Corretora, o mercado imobiliário passa por um momento de ajuste e mesmo empresas que tiveram lucro em 2014 planejam lançar menos.

Para Marco Barbosa, analista financeiro da CM Capital Markets, as empresas devem focar em zerar o estoque devido ao alto custo de manutenção de unidades paradas. "Há empreendimentos entregues com só 20% das unidades vendidas, quando o normal é entregar a obra com 10% dos imóveis por vender."

CANCELAMENTOS

O mercado também prevê que os distratos --os cancelamentos de compra de imóveis-- sigam altos, em decorrência do maior rigor dos bancos ao conceder crédito.

Na MRV, focada em habitação popular e que lançou 99 empreendimentos em 2014, os distratos somaram R$ 1,45 bilhão --alta de 33% ante 2013. Na Rossi, os distratos foram de R$ 1,04 bilhão, 82% a mais do que em 2013.


Fonte: Folha de São Paulo, por Douglas Gavras, 25/03/2015