Depois de apresentar resultados do quarto trimestre de 2016 e do consolidado do ano prejudicados por custos adicionais de projetos da faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida e por aumento de provisões, a Direcional Engenharia não espera mais revisões de orçamento. No quarto trimestre, os custos adicionais da companhia com empreendimentos da faixa 1 somaram R$ 56 milhões R$ 47,5 milhões com projetos em curso e R$ 8,5 milhões em provisão para manutenção. Esses R$ 8,5 milhões fazem parte de R$ 11 milhões em provisões para manutenção adicionais.
No quarto trimestre, os custos adicionais com projetos da faixa 1 foram consequência de mais burocracia das prefeituras para aceitar o recebimento de unidades nesse segmento do programa habitacional, com atrasos na definição de moradores que iam ocupar os imóveis, o que resultou em aumentos de gastos com segurança, limpeza e repintura, segundo o vice-presidente da Direcional, Ricardo Ribeiro. "Tivemos algumas dificuldades que nunca vivenciamos em entregas da faixa 1", disse o executivo, em teleconferência com o mercado.
Segundo o vice-presidente da Direcional, os efeitos foram reconhecidos de uma só vez, e a companhia não espera mais surpresas na entrega de unidades do faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida. Os custos adicionais correspondem a 2% do Valor Geral de Vendas (VGV) dos projetos em ciclo final de entrega. A Direcional reverteu o lucro do quarto trimestre de 2015 e registrou prejuízo de R$ 64,8 milhões de outubro a dezembro do ano passado. A margem bruta, que era de 20,1% ficou negativa em 10%. A margem bruta ajustada passou de 23,8% para o indicador negativo de 3,2%. No acumulado de 2016, a incorporadora teve perda de R$ 11,9 milhões. Sem os fatores não recorrentes, a última linha do balanço
seria lucro de R$ 44 milhões.
Segundo Ribeiro, "é natural" que a margem bruta suba nos próximos trimestres, e haverá menos efeitos negativos dos distratos neste ano. A Direcional espera entregar, em 2017, VGV de incorporação próximo aos R$ 559 milhões do ano passado. As unidades têm tíquete médio menor, o que facilita o financiamento bancário, e mais da metade delas se localiza na região Sudeste, menos afetada por distratos.
Neste ano, a Direcional vai aumentar lançamentos, desde que haja demanda. A empresa planeja lançar produtos a partir do segundo trimestre, mas concentrará a apresentação de novos projetos na segunda metade de 2017. O foco serão empreendimentos das faixas 2 e 3 do programa do governo federal. Lançamentos para o médio padrão devem voltar a ocorrer no próximo ano.
Em teleconferência ontem, o diretor financeiro e de relações com investidores, Carlos Wollenweber, afirmou que a Direcional espera geração de caixa em 2017 "substancialmente maior" do que a do ano passado. Em 2016, a companhia gerou caixa de R$ 38 milhões.
Após a divulgação do balanço, o Bradesco BBI reduziu sua recomendação para as ações da Direcional de compra para neutra e revisou o preço alvo de R$ 7 para R$ 6. Entre os fatores negativos do balanço citados pelo Bradesco BBI estão a piora do desempenho da Direcional na faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida e o aumento das provisões, além da pressão dos distratos das unidades de média renda sobre a margem bruta.
Ontem, as ações da Direcional fecharam a R$ 5,25, com queda de 10,26% na BM&FBovespa.
Fonte: Valor - por Chiara Quintão, 22/03/2017

