Os investidores aguardam a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de hoje para reavaliar suas estratégias de mercado. A trajetória de queda da taxa básica Selic dura quase um ano e meio. Saindo de 14,25% em outubro de 2016, foram 7,5 pontos percentuais de baixa até o momento. E a grande expectativa é que caia mais 0,25 ponto hoje, levando a taxa básica para nova mínima histórica, de 6,5%.

Nesse mesmo período, os títulos prefixados trouxeram alguns dos maiores ganhos no mercado de renda fixa. O índice IRF-M da Anbima, que mede os retornos de investimentos destes papéis, teve alta de 21,2%. O resultado fica bem acima da taxa CDI do período, de 14,4%. O CDI é o juro médio negociado entre instituições financeiras.

O bom desempenho desses ativos ocorre por causa da diferença crescente entre o rendimento pré-estabelecido e a taxa básica em queda. Agora, entretanto, há a percepção de que a Selic está mais próxima do ponto final do ciclo de cortes. E a estratégia com títulos prefixados, de olho no caminho da política monetária de curto prazo, perde fôlego.

No Bullmark Financial Group, a aposta nesses papéis já diminuiu, sendo revertida em investimentos em ações e fundos multimercados. Daqui para frente, a ideia é antecipar uma etapa ainda não consensual: um futuro ciclo de alta de juro. A nova estratégia se apoia na perspectiva de retomada da atividade econômica, com efeito na inflação e necessidade de ajuste da Selic.

"Vamos priorizar os títulos pós-fixados, como as LFTs", diz Renan Silva, estrategista da Bullmark. Ao se posicionar com antecedência nesses títulos, atrelados à Selic, a intenção é captar um futuro aumento das taxas, o que costuma acontecer quando é retomada a discussão sobre juros mais altos. "Se chegamos no piso [da Selic], o próximo movimento é de alta, mesmo se for suave." 

Seja na decisão deste mês ou mesmo com movimentos residuais posteriores em 2018, a percepção no mercado é que o ciclo de cortes da Selic está próximo de seu fim. À espera dos sinais do Copom, as taxas dos DIs curtos fecharam perto da estabilidade ontem na B3: o contrato de janeiro de 2019 ficou em 6,475% no fim da sessão regular, ante 6,465% no ajuste anterior.

De olho no caminho da política monetária, os investidores podem ser forçados a procurarem outros catalisadores para seus portfólios, inclusive quem vê juros baixos por mais tempo. Dentre as estratégias para captar futuros ganhos está o alongamento de prazos ou o reforço em outros vencimentos fora os de curtíssimo prazo.

"Temos frustração com PIB e inflação controlada, não faz sentido os juros [intermediários] estarem tão elevados", diz o sócio e gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi. Para ele, a melhor operação é apostar na queda dos juros intermediários - ou, no jargão do mercado, "ficar vendido" em taxas como o DI de janeiro de 2021.

A Selic média embutida para 2020 tem recuado e tocou recentemente o nível de 9,75%, que era a meta do BNP Paribas. Em seguida, o banco decidiu reduzir o alvo para 9,5% ao ano. "Os DIs continuam inclinados para queda", diz em relatório a equipe de estrategistas para a América Latina do BNP, liderada por Gabriel Gersztein.

Títulos públicos com prazo entre três e dez anos também podem ser o destino das aplicações.

"A taxa de juro não sumiu, ela está lá, nos papéis mais longos", afirma Ronaldo Patah, estrategista do UBS Wealth Management. (Colaborou Lucinda Pinto )

Fonte: Valor - Finanças, por Lucas Hirata, 21/03/2018