As grandes e mais tradicionais empreiteiras do país, quase todas hoje com suas imagens institucionais bastante arranhadas pelos efeitos da Operação Lava­Jato da Justiça Federal, estão no comando de praticamente todas as principais obras de infraestrutura relacionadas com os Jogos Olímpicos Rio 2016, mas nem só delas vive o enorme canteiro de obras em que se transformou a capital fluminense durante os preparativos para o evento que começa no dia 5 de agosto.

Construtoras menores e fornecedores dos mais diversos produtos começam a sonhar com voos mais altos a partir da plataforma que para eles se transformou o fato de estarem trabalhando nos preparativos de um evento orçado em R$ 39,07 bilhões e que promete deixar para os cariocas um legado em infraestrutura e melhorias da qualidade de vida estimado pelos órgãos envolvidos nos preparativos, como a Empresa Olímpica Municipal, em R$ 24,6 bilhões.

Uma dessas empresas é a Fumajet, especializada em saúde e gestão ambiental, incluindo controle de vetores. Segundo Marcius Victorio da Costa, diretor da empresa, ela foi fundada em 2009 e, embora com projetos inovadores, como a Motofog, uma máquina de aspersão de fumaça para combate a mosquitos assentada sobre uma motocicleta para acesso a vias estreitas, não conseguia conquistar clientes de grande porte.

A situação mudou, segundo o empresário, quando ela conseguiu inscrever­se, em 2014, no Programa de Encadeamento Produtivo,  criado pelo Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresas (Sebrae) e pela Construtora Norberto Odebrecht, para buscar novos fornecedores para os projetos ligados aos Jogos Olímpicos. Contratada para cuidar do combate a vetores na área do Porto Maravilha, projeto de revitalização da região portuária do Rio com investimentos de R$ 8,2 bilhões, a empresa empenhou­se em um projeto de redução em 30% do uso de produtos químicos que a enquadrou em um programa das Nações Unidas chamado "Chemical Leasing", que valoriza as tecnologias de redução do uso de produtos químicos no ambiente.

Costa conta que após tornar­se fornecedor do Porto Maravilha já conquistou vários clientes grandes, como a Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ) e os organizadores do Rock′n′Rio. Registrou 18 patentes no Brasil e no exterior e está exportando produtos e serviços para Angola, Guiné Equatorial e República Dominicana. Com participação em projetos que somam no conjunto mais de R$ 25 bilhões, o grupo Odebrecht vem se valendo dessa malha de micro, pequenas e médias empresas para dar conta do recado.

Outras duas empresas de pequeno porte que crescem na onda dos Jogos são a Brasilseg, fornecedora de uniformes profissionais e de equipamentos de proteção individual e a Burle (Mr. Limpo), fornecedora de descartáveis e de materiais de limpeza. Segundo Eliane Pequeno Ramos, sócia­diretora da Brasilseg, a conquista de um contrato na obra de duplicação do Elevado do Joá, ligando São Conrado, na zona sul, à Barra da Tijuca, na zona oeste, abriu espaço para o crescimento da empresa que vem mantendo um crescimento anual na casa dos 20% o ano. "Em 2015 não crescemos nem encolhemos, mas muitas nossas concorrentes tiverem que fechar as portas", conta a empresária. Segundo ela, a participação na obra também garantiu para a empresa "atestados de capacidade técnica de várias construtoras".

José Mauro Neto Leal, da Burle, fornecedor para a obra da Linha 4 do Metrô carioca, o maior de todos os empreendimentos relacionados com os Jogos Olímpicos, diz que a empresa tem 15 anos de mercado, exclusivamente na praça do Rio de Janeiro, mas com a projeção alcançada pelo trabalho na obra do Metrô ele já alimenta a expectativa de expandir suas atividades para outros estados brasileiros.

Quem sonha mais alto é a Zadar, uma construtora de médio porte que detém, sozinha ou consorciada, contratos para obras olímpicas no total de R$ 369 milhões, sendo a principal delas a construção do Parque Aquático (consórcio Onda Azul, com a Engetécnica), onde serão realizadas as provas de natação, no valor de R$ 225 milhões. As outras obras são no Velódromo  (conclusão), Centro de Hipismo de Deodoro (conclusão) e reforma do Parque Aquático Maria Lenk.

Segundo Carlos Alberto Lima Dias, diretor de obras da empresa, o grau de exigência técnica das obras está animando a empresa a se candidatar a novos mercados. Há também gigantes internacionais que foram atraídos, em grande parte, pelas obras de infraestrutura no Rio. Foi, inicialmente, para atender à encomenda de 32 veículos leves sobre trilhos (VLT), modelo Citadis, do Rio que a francesa Alstom inaugurou em março de 2015 sua fábrica desses veículos em Taubaté (SP). Nos próximos meses o Rio inaugura seus primeiros 28 quilômetros de VLT na região central da cidade, um investimento de R$ 1,1 bilhão.


Fonte: APeMEC, 21/03/2016