Em janeiro deste ano, pela primeira vez desde 2003, o setor de construção civil demitiu mais do que contratou. Foram eliminadas 9.729 vagas com carteira assinada no setor.
Os dados são do Ministério do Trabalho e ilustram um cenário pessimista para um setor que sempre foi considerado a “menina dos olhos” do mercado trabalho. As principais causas da crise são a Operação Lava-Jato, que investiga empreiteiras acusadas de corrupção, e a redução do investimento do governo no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Entre as construtoras que reduziram o número de funcionários está a Amorim Barreto. Responsável pelas obras na BR-116, a empresa tinha 730 funcionários em dezembro do ano passado. Hoje, são cerca de 300. Para completar, o governo adiou para 2016 a ordem de serviço para o início das obras da rodovia.
“O que estava previsto para hoje só vai sair no ano que vem. O planejamento é zero no nosso setor. Você abre a empresa, corre riscos, emprega e não pode se programar. Para a BR-116, uma obra de R$ 270 milhões, eu contrataria pelo menos 500 pessoas. Trabalhar para o governo é muito difícil, e a estrada está precisando de reforma, porque está em péssimo estado”, diz Hildebrando Amorim, dono da Amorim Barreto.
Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), órgão que representa o setor, há previsão de que até o fim do ano a força de trabalho da construção civil vai encolher até 15%, com cerca de 300 mil demissões. Essa tendência pode aumentar a lentidão nas obras públicas.
“As empresas vão diminuir o ritmo e passar a demitir, pois não veem no horizonte os pagamentos pelo que estão produzindo”, alerta José Carlos Martins, presidente da CBIC.
Em nota, o Ministério do Planejamento, responsável pelas obras do PAC e do programa Minha Casa Minha Vida, informou que o governo vem adotando uma série de ajustes fiscais para sanar o problema, e garantiu que os projetos prioritários serão mantidos.
“É importante ressaltar que os investimentos públicos dos programas prioritários estão mantidos. Provavelmente haverá alguma adequação, mas mesmo com esforço fiscal haverá, e já está ocorrendo, um grande investimento público neste ano”, diz o órgão.
Fonte: O Globo, por Danilo Fariello, 16/03/2015

