Entidades que representam concessionárias de água e esgoto divergem da nova versão do Plano Nacional de Saneamento Básico, em consulta pública desde a última semana.

O documento reúne diretrizes para o setor até 2033. A estimativa do governo é que será necessário investir cerca de R$ 24 bilhões ao ano no segmento, quase o dobro do valor médio praticado atualmente.

Empresas públicas e privadas concordam que é impossível alcançar esse patamar nas condições atuais, mas discordam quanto às mudanças que precisam ser realizadas.


Esgoto a céu aberto em rua de São José de Caiana (PB) - Bruno Santos - 23.nov.18/Folhapress

A Aesbe, associação das estaduais, defende que as privadas não disputem concessões que hoje são das estatais, e só assumam operações ao adquirir ou firmar parcerias com companhias dos estados.

“O problema são as premissas do plano”, diz Roberto Tavares, à frente da entidade e da Compesa (concessionária de Pernambuco).

Necessidade de investimento em água e esgoto

O outro lado, porém, afirma que flexibilizar o modelo de concessão é a única forma possível de aumentar o capital investido no setor.

“Dada a dificuldade orçamentária do governo, é preciso acelerar as mudanças no segmento para maior participação privada e expandir também o investimento público”, diz Venilton Tadini, da Abdib (associação de infraestrutura).

É preciso revisar a metodologia do plano, mas a projeção é que a demanda por aportes ultrapasse os R$ 400 bilhões, afirma Percy Soares, da Abcon (de concessionárias privadas).


Fonte: Valor, de São Paulo, por Maria Cristina Frias, 12/03/2019