Após sofrer retração nos lançamentos e nas vendas em 2015, o mercado imobiliário de São Paulo enfrentará grandes instabilidades em 2016 em meio à crise econômica e política do País, impossibilitando projeções sobre tendências para o volume de negócios nos próximos meses, de acordo com informações divulgadas nesta quarta-feira (9) por representantes do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) em entrevista coletiva a jornalistas.

"Com o cenário conturbado, é muito difícil termos algum nível de previsibilidade", afirmou o presidente do Secovi-SP, Flávio Amary. "A previsão para esse ano é não ter previsão", complementou o economista-chefe, Celso Petrucci. A postura do Secovi-SP contrasta com a dos anos anteriores, em que a entidade tradicionalmente divulga uma estimativa para o nível de comercialização do ano.

Em 2015, houve um recuo de 37% no número de lançamentos na cidade de São Paulo em relação a 2014, passando para 21,4 mil unidades, de 33,9 mil unidades. Esse foi o ano mais fraco em número de lançamentos no município desde 2004. Em relação ao número de imóveis vendidos, houve queda de 6,6% em 2015, passando de 21,5 mil unidades para 20,1 mil unidades. Trata-se do menor número de comercializações anuais desde 2004.

O estoque paulistano em dezembro de 2015 somava 27.055 mil unidades, 52,2% a mais do que a média histórica da cidade, que é de 17,8 mil imóveis. Em relação a dezembro de 2014, a quantidade verificada no ano passado representa queda em 0,7% nas novas moradias disponíveis no mercado. A oferta no fim do ano passado estava dividida em 9% de imóveis prontos, 70% em construção e 21% em fase de lançamento.

Amary enfatizou que os principais problemas do País são o nível de desemprego crescente e a desconfiança do consumidor, fatores que impactam negativamente as vendas. A situação tem levado muitos incorporadores a facilitar as condições de aquisição aos consumidores, observou o presidente. "O melhor momento para se comprar imóvel é agora", disse.


Fonte: APeMEC, 09/03/2016