Os comerciantes do município de São Paulo estão mais confiantes por causa da melhora das condições correntes da economia e do próprio setor, mas há pontos que sinalizam cautela com o futuro, como o aumento tímido na intenção de contratar novos empregados, segundo dos pesquisa da FecomercioSP.
O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), que sintetiza o levantamento, aumentou 3,5%, de 110,7 pontos em janeiro, para 114,6 em fevereiro. É o maior nível desde janeiro de 2014. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o indicador subiu 23,6%. A escala varia de zero (pessimismo) a 200 pontos (otimismo).
Esse desempenho foi puxado pelo índice que mede a percepção dos empresários sobre a situação corrente, que também atingiu o maior nível em quatro anos ao aumentar 8,2% ante janeiro e saltar 57% sobre fevereiro do ano passado, para 93,8 pontos. Apesar da melhora expressiva, o índice denota uma avaliação ainda negativa do momento presente, já que está abaixo dos 100 pontos.
O subindicador de condições atuais da economia aumentou 11% ante janeiro e 83% ante fevereiro do ano passado, para 84,3. O de condições atuais do comércio também cresceu, 9,6% e 61,3%, respectivamente, para 91,8 pontos. As expectativas cresceram de forma mais modesta, 1,6% em fevereiro sobre janeiro, mas o nível do indicador segue bem acima (153,4 pontos) daquele das condições atuais. Na comparação com fevereiro de 2017, houve alta de 9,6%. As expectativas em relação à economia subiram 0,4% e em relação ao setor cresceram 2,8%.
O indicador que mede a intenção de contratar novos funcionários subiu apenas 0,2% na comparação com janeiro, embora esteja acima de 100 (nível neutro) e 24% acima do mesmo período de 2017.
O comércio, como a economia, está em processo lento e gradual de recuperação, afirma Guilherme Dietze, assessor econômico da FecomercioSP. "O setor ainda está voltando para parâmetros mais positivos e isso transparece na cautela de contratação", afirma.
Para Dietze, embora exista clara retomada no consumo - desde os segmentos básicos, como aqueles de farmácia e supermercado, até veículos e eletrodomésticos -, ainda levará cerca de dois anos para que o varejo retome os níveis pré-crise. Segundo ele, atores como a queda dos juros ainda terão efeitos positivos sobre a demanda, mas o quadro de incerteza política pode frear recuperação mais expressiva. "O otimismo é de curto prazo."
Fonte: Valor - Macroeconomia, por Ana Conceição, 07/03/2018

