O cenário fiscal para o Brasil na pandemia já foi pior, mas não estão descartadas futuras pressões por mais gastos sociais e de socorro a empresas, a depender de como o país vai atravessar o momento mais agudo da crise, avançar na vacinação e possibilitar a retomada econômica.

A percepção dos analistas melhorou após a aprovação da PEC Emergencial no Senado. Ainda que o texto não preveja corte robusto de gastos de imediato, a avaliação é que foram estabelecidas regras e mecanismos claros para uma trajetória mais crível das contas públicas no médio-longo prazo. “Precisamos olhar o filme, e ele mostra que não tínhamos histórico anterior de ajuste fiscal pelo lado da despesa”, afirma Alexandre Manoel, sócio e economista-chefe da MZK Investimentos.

Dado o “incêndio” que o Brasil vivencia, o texto que passou hoje em segundo turno “ficou de bom tamanho”, segundo Carlos Kawall, diretor do ASA Investments. Um dia antes, quando havia rumores de que mais programas ficariam de fora do teto de gastos, “a bala passou do lado do rosto”, diz o ex-secretário do Tesouro Nacional. É um exemplo de como “a dinâmica política não é linear”, observa ele. “Tudo remete à necessidade de disciplina, mas sabemos que o percurso será em águas turbulentas.”


Fonte: Valor Investe, por Anaïs Fernandes, Valor — São Paulo, 05/03/2021