
Em um ano marcado por tombos históricos na economia global, a queda de 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil foi 31º pior desempenho entre 56 países que já divulgaram seus resultados de 2020.
Para alguns países, o resultado do ano passado foi uma catástrofe inédita. É o caso, por exemplo, do Reino Unido, que encolheu 9,9% em 2020. Não por acaso o país é um dos mais atingidos pela covid-19, com mais de 124 mil mortes (quinto país no ranking de óbitos). A Espanha, uma das localidades em que a pandemia começou com mais força, teve resultado ainda pior. A contração de 11% foi a maior desde a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).
Pior resultado que o da Espanha só aconteceu no Peru, país que tem piores dados que o Brasil na crise sanitária quando as mortes e os casos são ajustados pelo tamanho da população. A economia peruana teve queda de 11,1% em 2020, a mais aguda em 30 anos e que encerrou um ciclo de crescimento anual de mais de duas décadas.
Outros países da América Latina também tiveram desempenho inferior ao brasileiro. O México, segunda principal economia latino-americana, encolheu 8,5%, o segundo ano consecutivo de contração e a maior queda desde 1932. Na Colômbia, quarto maior PIB da região (atrás também do argentino), a retração de 6,8% foi a pior da história.
Mesmo países da Ásia, continente com exemplos de sucesso no controle da pandemia até o momento, registraram desempenhos muito negativos. A Tailândia, por exemplo, recuou 6,1%, resultado que não era visto desde a crise asiática de 1998 e que reflete em boa parte a queda no turismo para o país. A crise de 1998 também foi um marco para as Filipinas, que desde então nunca tinha registrado uma queda no PIB. Agora, em 2020, teve contração de 9,5%, a maior em 73 anos.
Do grupo de 56 países, apenas três cresceram em 2020. Taiwan registrou alta de 3,1%, a China teve expansão de 2,3%, e a Turquia, de 1,8%. Coreia do Sul e Austrália, exemplos frequentes de controle da pandemia, tiveram queda de, respectivamente, 1% e 1,1%.
Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Álvaro Fagundes — De São Paulo, 04/03/2021

