A Weber - fabricante de argamassas, rejuntes, impermeabilizantes e revestimentos de fachadas e pisos do Grupo Saint-Gobain - está revendo seu orçamento de 2015 para baixo e vai desacelerar investimentos em novas fábricas. A previsão inicial era crescer neste ano, mas a meta agora é buscar o mesmo desempenho de 2014. "Se alcançarmos o que fizemos no ano passado, ficarei muito contente", disse ao Valor, o novo diretor-geral da Weber, Renato Holzheim, em sua primeira entrevista desde que assumiu o cargo, no início do ano.

A postergação de investimentos em ampliação da capacidade e a revisão da estimativa de vendas da Weber resultam da retração da demanda e da mudança das expectativas em relação ao mercado nos seus segmentos de atuação. Em fevereiro, as vendas da empresa caíram, segundo Holzheim, em decorrência da menor confiança do consumidor, que leva ao adiamento de reformas. A queda em janeiro foi menor, por conta da recomposição de estoques do varejo.

"Este é um ano totalmente atípico. Esperávamos que 2014 fosse difícil, mas que houvesse recuperação em 2015", conta.

Inicialmente, a Weber pretendia construir uma nova fábrica neste ano, além de metade de outra unidade. Em 2016, seria concluída a segunda das novas unidades e erguida mais uma. Trata-se de fábricas multiprodutos. No novo planejamento, a construção da primeira delas começará em 2015 e será finalizada no próximo ano. Sem informar o município em que a fábrica será construída, o executivo disse que a obra está em fase de terraplenagem e obtenção de licenças.

Segundo Holzheim, a atual capacidade instalada da Weber é suficiente para atender à demanda. A Weber tem 17 fábricas, oito centros de distribuição e três minas de areia. Cerca de 80% da comercialização dos produtos da empresa é direcionada ao varejo, incluindo home centers e lojas de menor porte, num total de 30 mil pontos de vendas. Os demais 20% das vendas são destinados, diretamente, a construtoras.

De acordo com o executivo, a estratégia para buscar equiparar o desempenho deste ano ao de 2014 é aumentar o leque de clientes no varejo e oferecer melhor atendimento aos pontos de vendas das cidades em que a Weber já está presente. "Se o mercado cai e nós mantemos nossas vendas, ganhamos participação", afirma Holzheim. As vendas para construtoras caíram desde o fim de 2014, como reflexo do menor número de lançamentos imobiliários pelas incorporadoras nos últimos anos. Os produtos da Weber são utilizados na fase de acabamento dos imóveis.

Em relação a aquisições, o diretor-geral diz que a Weber está mais seletiva, mas segue atenta a oportunidades que surjam.

Segundo Holzheim, apesar da piora da economia, as perspectivas do grupo Saint-Gobain para o país continuam a ser de longo prazo. "O Brasil é maior do que a crise", afirma o diretor-geral da Weber. O país responde por uma fatia de 7% a 8% do faturamento mundial da Saint-Gobain.

Holzheim faz parte dos quadros do grupo há 16 anos. Nos últimos sete anos, o executivo liderou a divisão de Vidro Plano.
    


Fonte: Valor Econômico, por Chiara Quintão, 04/03/2015