A Votorantim Industrial (VID) espera que seus negócios tenham neste ano um desempenho semelhante ao do ano passado, disse João Miranda, presidente da empresa. O nível de investimentos será mantido e a companhia está contando com bons resultados das operações fora do Brasil para ajudar o resultado consolidado. Da receita líquida total, o mercado local responde por dois terços.
Até o momento, a VID não fechou seu plano de investimentos para 2015, informou Miranda. Mas ele adianta que provavelmente o desenho será o mesmo de 2014, com 75% dos recursos, sobre o valor de R$ 2,47 bilhões, direcionados para manutenção e apenas um quarto do total destinado a novas operações ou expansões.
A VID reúne as empresas de cimento, aços longos, metais, mineração e papel e celulose do grupo, sendo que não consolida os números de papel e celulose, que são contabilizados no balanço da Fibria. No ano passado, obteve receita de R$ 28 bilhões, 7% a mais do que em 2013. O número foi inflado pelos ganhos com a venda de energia, que representaram 8% do total - aproximadamente R$ 2,2 bilhões.
Miranda evitou mencionar o valor exato dessa cifra e não detalhou o impacto da energia no resultado final da VID, todavia a comercialização do insumo impacta diretamente o Ebitda, que foi de R$ 7,1 bilhões no ano passado. O valor foi 32% (R$ 1,72 bilhão), superior ao do ano anterior.
Questionado sobre a expressiva participação da venda de energia na receita, Miranda disse que a empresa sempre comercializou parte do excedente e que "a energia passou a ser um negócio da Votorantim". "Temos uma comercializadora que já é a sétima maior do país", justificou.
No ano passado, a empresa chegou a vender energia em leilão, mas o executivo disse que isso foi um evento extraordinário, o qual não deve se repetir neste ano. O grupo é um grande gerador de energia em hidrelétricas próprias, insumo voltado para sustentação dos negócios de cimento e metais.
Sobre as operações de cimento, que garantiram 70% do lucro da VID no ano passado e 43% da receita, Miranda sinalizou uma perspectiva positiva. "Cimento e aço iam bem no começo de 2014. Depois, isso mudou. Ainda assim, continuam com uma demanda forte", disse. Ele afirma que a empresa "continua olhando para regiões de alto crescimento" e citou como exemplos as regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste. A divisão de siderurgia, com a produção de aços longos, foi responsável por 13% das receitas da empresa em 2014 e por 5% do lucro.
Na divisão de metais, a aposta é de bons resultados, principalmente nas operações de zinco. É a commodity com perspectivas de mercado mais promissoras, diz. Miranda informou que a companhia está estudando a possibilidade de estender a vida útil da mina de Vazante (MG) por mais dez anos, o que seria possível com um investimento de R$ 500 milhões.
Menos animada com o níquel, a Votorantim Industrial não tem planos de retomar neste ano as operações da unidade de Fortaleza de Minas (MG), suspensas desde o fim de 2013. "O atual patamar de preços do metal não justifica reabrir essa operação", disse.
Em todas as operações, a VID lucrou R$ 1,68 bilhão em 2014 - sete vezes mais do que os R$ 238 milhões de 2013. O Ebitda foi R$ 7,1 bilhões, 32% superior ao de 2013.
No ano passado, a companhia reduziu sua alavancagem financeira. A relação da dívida líquida (R$ 16,5 bilhões no fim do ano) com o Ebitda caiu para 2,32 vezes, ante 3,18 vezes um ano antes. "O compromisso do acionista é chegar a 2 vezes no longo prazo", disse o executivo ao Valor.
Fonte: Valor Econômico, por Olivia Alonso e Ivo Ribeiro , 04/03/2015

