Na tarde de ontem, depois de voltar do Uruguai, Dilma participou da inauguração do túnel Rio 450, parte do projeto de revitalização da zona portuária. "Estamos provando aqui que uma transformação de porte é possível, combinamos a parceria público privada. Aqui combinamos recursos do governo federal, do governo do Estado, da prefeitura e da iniciativa privada. Isso é muito importante porque gera emprego, melhores condições de vida e melhor mobilidade urbana e a ocupação cultural e de lazer de uma cidade", afirmou. O túnel Rio 450 substitui o antigo elevado da perimetral, cuja derrubada é o maior símbolo das obras de revitalização da região. "Várias cidades recuperaram suas zonas portuárias, mas nenhuma recuperou junto o centro histórico", disse, reforçando a importância histórica da região, por onde chegaram tanto os escravos quanto a família real portuguesa, em 1808.
Dilma destacou várias obras realizadas em conjunto com os governos de Paes e Pezão, ambos pemedebistas, e afirmou que deve haver um esforço para unir os extremos do Rio, do morro ao litoral.
Em meio a elogios a Paes, Dilma disse que o pemedebista "é o prefeito mais feliz da galáxia, uma galáxia especial" chamada Rio.
Depois da inauguração, a presidente participou de uma cerimônia de comemoração dos 450 anos do Rio, ao lado de Pezão, Paes e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, também pemedebista. Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem buscado uma parcela do PMDB do Rio, liderada pelo prefeito e pelo governador, para tentar diminuir os atritos com a sigla aliada. Cunha, que se elegeu presidente da Câmara contra a vontade do Planalto, é o principal símbolo dessa resistência.
Do lado de fora do Palácio da Cidade, sede da prefeitura, onde Dilma participava da entrega de medalhas a personalidades ilustres do Rio, cerca de 30 manifestantes fizeram um ato contra a presidente e defenderam o impeachment.
De acordo com o estudante de engenharia Pedro Souto, de 21 anos, a manifestação foi convocada pela internet e envolve as mesmas organizações que se mobilizam para realizar um ato pró-impeachment no dia 15: os movimentos Brasil Livre, Carioca Cidadão e União Contra a Corrupção.
No palácio, Dilma recebeu do prefeito a medalha comemorativa dos 450 anos do Rio. Também receberam a medalha a atriz Fernanda Montenegro, a sambista Dona Ivone Lara, o poeta Ferreira Goulart, o jogador Zico e o arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta. A festa teve bossa nova, samba e apresentação dos bailarinos Ana Botafogo e Carlinhos de Jesus. Dilma recebeu ainda o selo comemorativo ′Viva a Carioquice′, do presidente em exercício dos Correios, Nelson Luiz Oliveira de Freitas.
Na festa, o traje era "carioca", conforme dizia o convite. Tinha de tudo, desde homens de terno e gravata e de bermuda, como mulheres com o pretinho básico e até vestidos curtinhos, bem de acordo com o verão carioca. O coquetel contou com produtos típicos do Rio como cachorro quente do General, há 50 anos no mercado, o biscoito de polvilho Globo e Mate Leão. Dilma e Pezão devoraram um pacote do biscoito Globo.
Estavam presentes representantes das mais variadas áreas, como presidente da Light, Paulo Roberto, a cravista Rozana Lanzelote, o estudioso de economia carioca da UFRJ Mauro Osorio e a diretora do Museu da Imagem e do Som, Rosa Araujo, entre outros.
Fonte: Valor Econômico, por Renata Batista e Heloisa Magalhães , 02/03/2015

