Apesar de o desempenho da economia ter surpreendido favoravelmente no quarto trimestre de 2013, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, optou pela cautela e manteve em 2,5% a previsão para crescimento neste ano. Na avaliação do ministro, a meta está "adequada para este momento" e é resultado dos impactos da crise global no ano passado.
Mantega descartou o anúncio de novas medidas de estímulo setorial e aposta na recuperação de EUA e Europa para puxar o desempenho brasileiro em 2014. "Estão dadas as condições para que o crescimento moderado continue em 2014", explicou, destacando que em 2014 o aumento do PIB será um pouco maior que 2013.
A projeção de crescimento do governo é superior à dos economistas ouvidos no boletim Focus do BC, que é de alta de 1,67% do PIB neste ano. Porém, como o resultado do quarto trimestre foi melhor do que o estimado pelo mercado, a expectativa do ministro é que o número seja elevado.
"Os analistas terão muito trabalho este fim de semana para rever as projeções", brincou. "As condições para 2014 são melhores, especialmente a economia internacional. A inflação também deve ser menor que 2014, com auxílio da política monetária e a fiscal."
No último trimestre de 2013, a economia registrou expansão de 0,7% ante os três meses anteriores. Com isso, no acumulado do ano, o PIB teve aumento de 2,3%. "Fiquei satisfeito", disse Mantega. Esse resultado, segundo ele, mostra que a "economia brasileira está em trajetória de aceleração gradual".
O diagnóstico do ministro está sustentado no fato de que alguns segmentos já apontaram em janeiro desempenho melhor do que o apurado nos últimos três meses de 2013. Esse é o caso da agricultura e o comércio. No último trimestre, o desempenho foi puxado por serviços (alta de 0,7%) e comércio (0,8%). Já o setor agropecuário ficou estável, mas o resultado era esperado, porque o segmento "cresce mais no primeiro semestre".
Também é esperada que a recuperação da economia mundial ajude na retomada da indústria, que no último trimestre recuou 0,12% em relação ao terceiro trimestre. Mantega deixou claro, que no cenário de maior contenção fiscal, não serão concedidos novos estímulos ou desonerações tributárias para ajudar setores.
Fonte: Valor, por Edna Simão, Lucas Marchesini e Vandson Lima, 28/02/2014

